Vitória de Chinaglia ou Cunha na Câmara custará R$ 425 mi

Deputados Arlindo Chinaglia (PT) e Eduardo Cunha (PMDB), disputam a presidência da Câmara

Em disputa pela presidência da Câmara, os deputados Arlindo Chinaglia (PT) e Eduardo Cunha (PMDB) têm plataformas que, se executadas, devem elevar gastos na Casa Com um acentuado tom corporativista, a corrida para a presidência da Câmara dos Deputados resultará em um custo de ao menos R$ 425 milhões aos cofres públicos em caso de vitória de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ou Arlindo Chinaglia (PT-SP), os principais nomes na disputa. A plataforma mais onerosa até agora foi declarada pelo petista, que presidiu a Casa em 2007 e 2008. Chinaglia garante que, se eleito no próximo domingo, 1º/2, vai reajustar a verba que os deputados têm para contratação de assessores, hoje em R$ 78 mil ao mês. Ele não fala em percentuais, mas caso apenas reponha a inflação acumulada desde o último reajuste, o valor iria a R$ 91 mil, com um impacto anual de cerca de R$ 130 milhões. De acordo com consultores da Câmara, a instituição teria que promover um ajuste no orçamento, cortando outros gastos, ou pedir um crédito suplementar -isso porque 80% do orçamento de R$ 5,1 bilhões estão comprometidos com despesas obrigatórias. O último reajuste da verba foi de 30% e ocorreu em julho de 2012. “Os funcionários que trabalham nos gabinetes não devem ser escravizados e ficar com o mesmo salário dez anos. Eu tenho a atenção voltada para que, de maneira equilibrada, se faça o reajuste”, afirmou Chinaglia nesta semana, apesar de o último reajuste não ter completado três anos. Novo prédio O petista também promete dar início à construção de um novo prédio para aumentar o gabinete dos deputados. A ideia do chamado Anexo 5 foi lançada por Chinaglia quando ele comandou a Câmara. Ela voltou à pauta em 2009, com Michel Temer (PMDB), mas não saiu do papel. Com forte apelo entre os congressistas, a proposta também está entre as bandeiras de Eduardo Cunha. O peemedebista aponta que será feita a “imediata” licitação para a construção do prédio. A cartilha do peemedebista também tem outras propostas de difícil valoração, que estão em análise por técnicos da Casa, mas que terão reflexos nos cofres públicos. O peemedebista reeditou a ideia de levar a cobertura da TV Câmara aos Estados. A iniciativa sempre é defendida, mas tem difícil execução e projeta custo alto com equipamento e pessoal próprio nos Estados. O deputado promete ainda implementar a transmissão da Rádio Câmara para todas as cidades com mais de 100 mil habitantes e modernizar o gabinete dos congressistas. Cunha tem dito que suas propostas não representarão elevação no atual orçamento previsto para a Câmara. NÚMEROS  78 mil reais é o valor destinado a cada deputado para contratar assessores 5,1 bilhões de reais é o orçamento total da Câmara dos Deputados