Quem é o brasileiro que luta na Ucrânia após perder R$ 340 mil em bets

O ápice do transtorno ocorreu quando Moita perdeu R$ 75 mil em um único dia. Psicóloga revelar que ele apresentava indícios de um quadro de ludopatia.

Thiago Morais da Silva Moita, 35 anos, luta na guerra da Ucrânia — Foto: Reprodução/Instagram

Por g1 Santos - 09/07/2026 

Thiago Moita, de 35 anos, trabalhava como motorista e vendedor antes de se alistar para combater o vício. Ele sobreviveu a bombardeios no país europeu e avalia se continuará no Exército.

O carioca Thiago Morais da Silva Moita, de 35 anos, mudou-se para Iguape (SP) em 2022 para cuidar do filho e trabalhava como motorista e vendedor.

• Diagnosticado com ludopatia, ele perdeu mais de R$ 340 mil em apostas virtuais, chegando ao ápice de desperdiçar R$ 75 mil em um único dia.

• Para fugir da prisão mental do vício, o brasileiro contrariou a família e alistou-se na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia em março.

• Conhecido como 'BadBoy', ele passa por treinamentos de 12 horas diárias e já sobreviveu a bombardeios russos que atingiram sua base.

• O combatente tem retorno previsto ao Brasil entre novembro e dezembro, quando decidirá se cumprirá os três anos de contrato militar.

Brasileiro perde R$ 340 mil em apostas e se alista na guerra da Ucrânia para vencer vício

O carioca Thiago Morais da Silva Moita, de 35 anos, tomou uma decisão extrema para tentar retomar o controle da própria vida. Após perder mais de R$ 340 mil em apostas on-line, ele deixou o litoral de São Paulo e alistou-se no Exército da Ucrânia.

O caso ganhou repercussão após o combatente relatar que a ida para a guerra foi a forma que encontrou para vencer a ludopatia, que é o vício em jogos de azar. "Eu precisava sair daquele ambiente para mudar o meu raciocínio, sair daquela prisão mental", desabafou ao g1. 

Vida antes da guerra

Natural do Rio de Janeiro (RJ), Moita cresceu no município de São Gonçalo (RJ). Em 2022, ele se mudou para Iguape, no litoral paulista, após obter a guarda do filho.

Na nova cidade, o brasileiro passou a trabalhar com vendas de eletrônicos e como motorista de aplicativo. No entanto, todo o dinheiro conquistado nos serviços acabou sendo consumido pelas plataformas virtuais de apostas.

O vício

O ápice do transtorno ocorreu quando Moita perdeu R$ 75 mil em um único dia. A decisão de mudar os rumos da vida aconteceu após uma psicóloga revelar que ele apresentava indícios de um quadro de ludopatia.

"Eu estava me destruindo. Pensei: 'Eu preciso sair daqui, preciso mudar'. O meu pai me falou: Você já apostou tudo que você tem, agora vai apostar a sua vida?", relatou o combatente. Para tentar frear os gastos, ele chegou a pedir que o pai confiscasse seu celular.

A decisão e a rotina

Com uma família formada por militares, Moita decidiu ingressar na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia em março deste ano. A atitude não foi bem recebida por parte dos parentes, mas ele afirma que o desafio mudou sua percepção sobre o dinheiro.

Na farda, o brasileiro carrega a tarja de identificação com o apelido "BadBoy", nome que usava com um grupo de amigos na infância em São Gonçalo. A rotina no país europeu inclui missões que duram de uma semana a 40 dias e treinamentos diários de 12 horas para manuseio de armas, minas, granadas e explosivos.

Os riscos

Moita explicou que não atua nas equipes de "assalto", que ficam na linha de frente em confrontos diretos com os russos. Apesar disso, a tropa convive com a ameaça constante de ataques com drones e mísseis.

Logo que chegou ao país, ele sobreviveu a um ataque direto contra a base onde estava alocado. "Menos de uma semana depois que cheguei lá, caiu um míssil na minha casa. Passou um caça e jogou três bombas lá", disse. Em outra ocasião, escapou de um bombardeio fatal que deixou dezenas de mortos e vitimou um colega brasileiro, pois havia sido transferido de região a tempo.

Futuro

O contrato militar prevê um mês de férias. Com isso, Moita tem retorno previsto ao Brasil entre novembro e dezembro deste ano.

Após esse período de descanso, o brasileiro precisará tomar uma nova decisão: rescindir o acordo com as Forças Armadas ou cumprir os próximos três anos representando o Exército Ucraniano. “Não sei o que vai acontecer daqui para frente”, afirmou.

https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/07/09/quem-e-o-brasileiro-que-luta-na-ucrania-apos-perder-r-340-mil-em-bets.ghtml