Volume de chuva não garante abastecimento até 2020 no Ceará
Volume de chuva em 2019 foi melhor que em 2018
Volume da estação chuvosa de 2019 no Ceará não garante abastecimento para o próximo ano, diz secretaria
Choveu 676.3 milímetros de fevereiro a maio deste ano, segundo balanço apresentado pela Secretaria de Recursos Hídricos (SRH).
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Região de Fortaleza teve chuva acima da média, mas reserva de abastecimento é menor do que em 2015. — Foto: Diário do Nordeste[/caption]
O Ceará teve chuvas dentro da média histórica durante a estação chuvosa de 2019, no entanto, as precipitações não atingiram todas as regiões do estado. Choveu 676,3 milímetros de fevereiro a maio deste ano, segundo balanço apresentado pela Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) nesta quarta-feira (5). O secretário de Recursos Hídricos, Francisco Teixeira, alerta que o volume não garante o abastecimento para todo o ano de 2020.
"Precisamos trabalhar com cuidado essa reserva que nós temos", ressaltou Teixeira.
A média histórica de chuvas no Ceará é de 600.7 milímetros. A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) previa, para 2019, chuvas entre 505.6 milímetros e 695.8 milímetros durante a quadra chuvosa.
Nos últimos 10 anos
Com o observado de 676.3 nesta quadra chuvosa, o desvio percentual foi de 12,6%. Portanto, um quadro pluviométrico melhor do que o observado nos anos de 2018 (0,0%), 2017 (-8,2%), 2016 (-45,5%), 2015 (-30,3%), 2014 (-23,4%), 2013 (-39,3%) e 2012 (49,6%), informou a Funceme.
“Nos últimos 10 anos, o período de fevereiro a maio mais chuvoso foi o do corrente ano. Um longo período seco, de cinco anos consecutivos, ocorreu entre 2012 e 2016”, ressaltou o meteorologista da Funceme Raul Fritz.
Fortaleza
A situação do abastecimento na capital também preocupa. Segundo o secretário da SRH, Francisco Teixeira, a reserva atual do sistema Jaguaribe-RMF, que abastece Fortaleza, é de 11,9%. Em outubro de 2015, quando foi divulgado o Ato Declaratório reconhecendo o cenário de escassez hídrica no Estado, esse volume era de 19,2%.
Chuva por regiões
As macrorregiões do Maciço de Baturité, Jaguaribana, Cariri e Sertão Central e Inhamuns apresentaram chuvas em torno da média. Enquanto as macrorregiões Ibiapaba, Litoral de Pecém, Litoral de Fortaleza e Litoral Norte ficaram com o acumulado acima de suas normais, informou a Funceme.
Já a região do Sertão Central e Inhamuns foi a que apresentou o maior desvio percentual negativo (-6,3%), seguida do Cariri, com desvio percentual de -4,8%, da Jaguaribana (1,5%), do Maciço de Baturité (14%), da Ibiapaba (25,6%), do Litoral de Pecém (40,9%), do Litoral de Fortaleza (44,2%) e do Litoral Norte (48,0%).
Reservatórios
Para a SRH, a situação permanece de alerta em relação à recarga hídrica nos 155 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).
Conforme balanço do governo, o volume de água armazenado nas bacias hidrográficas de Banabuiú, Médio Jaguaribe, Salgado, Alto Jaguaribe e Sertões de Crateús não foi o suficiente para garantir tranquilidade hídrica ao estado. Na bacia do Banabuiú existem apenas 9,54% de volume armazenado. Já na bacia no Médio Jaguaribe, onde se encontra o Castanhão, houve um aporte de apenas 5.74%.
Em 2015, quando o governo do estado decretou a implantação da Tarifa de Contingência, pela Cagece, o volume de água armazenado no Castanhão era de 8,54%. Atualmente, ao fim da quadra chuvosa de 2019, o volume do maior reservatório do estado está em 5,53%, o que reforça a preocupação com a situação hídrica do Ceará.
No quadro geral de monitoramento, dos 42 açudes monitorados que estão com volume acima de 90%, 26 estão sangrando. Porém, há açudes completamente secos e outros em volume morto.
06 açudes secos
18 em volume morto
72 com menos de 30% de suas capacidades
O secretário Francisco Teixeira afirmou que, atualmente, 11 municípios cearenses estão em nível de criticidade alta em relação ao abastecimento. São eles:
Monsenhor Tabosa
Quixeramobim
Caririaçu
Mombaça
Parambu
Salitre
Piquet Carneiro
Tamboril
Irauçuba
Pereiro
Pacoti







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