CAMPANHA Doe de Coração completa 12 anos Movimento tem saldo positivo.

Um gesto de amor que pode salvar vidas. O Movimento Doe de Coração, realizado sempre no mês de setembro, vem levantando a bandeira em prol da doação de órgãos e tecidos e, neste ano, celebra a sua 12ª edição com saldo positivo. Conforme dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), no primeiro trimestre de 2014, o Ceará é o primeiro lugar em transplante de fígado do País.

A campanha se tornou referência em todo o País e é realizada pela Fundação Edson Queiroz desde 2003. É reconhecida pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e vem contribuindo pela doação voluntária no Estado do Ceará.

Tradicionalmente no mês de setembro, a campanha busca sensibilizar a sociedade através dos meios de comunicação com o objetivo de atingir diversos segmentos da sociedade, em especial a rede de saúde pública e privada, além de grandes agentes, com a utilização de anúncios de jornal, inserções em TV aberta e fechada e distribuição de cartilhas, cartazes e camisas.

A mobilização é realizada em hospitais, escolas, clínicas, no Sistema Verdes Mares, na Unifor e em entidades diversas e configura o investimento da Fundação Edson Queiroz para disseminar essa mensagem de esperança de vida, atingindo milhares de pessoas. A cada ano, a Universidade de Fortaleza se dedica, durante todo o mês de setembro, a renovar essa corrente de esperança pela vida.

A Unifor divulga à população, através de várias mídias, informações sobre como se tornar um doador, além de realizar seminários e palestras. Vale ressaltar que promove, ainda, discussões na rede pública e privada de saúde sobre a importância do diagnóstico de morte encefálica, meio para o aumento do número de doação-transplantes de órgãos, afirma Erotilde Honório, diretora de Comunicação e Marketing da Unifor.

Efetivos

Desde a primeira edição do Movimento Doe de Coração, em 2003, o número de transplantes realizados no Ceará mais que triplicou. De acordo com dados da Central de Transplantes do Ceará, em 2003 foram realizados 420 procedimentos. Em 2012, o total geral foi de 1.269, 849 a mais em comparação com o ano de 2003. De acordo com dados da Secretaria estadual da Saúde, o Ceará foi o Estado com maior número relativo de doadores efetivos de órgãos e tecidos para transplantes no primeiro trimestre do ano.

Com 29,3 doadores efetivos por milhão da população (pmp) nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2014, o Ceará superou Santa Catarina e o Distrito Federal, que terminaram os últimos dois anos à frente, e ganhou destaque no Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), publicação da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos e Tecidos (ABTO). O Ceará manteve no primeiro trimestre de 2014 o primeiro lugar em transplantes de fígado do País, com 26,5 cirurgias pmp, à frente do Distrito Federal (18,7), São Paulo (14,9) e Santa Catarina (13,4).

Em números absolutos, o Estado realizou 56 transplantes de fígado, número menor que o de São Paulo, que realizou 154 transplantes.

São contabilizadas cirurgias de transplante de córnea, esclera, rins, coração, fígado, medula óssea, válvulas cardíacas, pâncreas e pulmão. Até a primeira quinzena de agosto deste ano, foram realizadas 841 cirurgias. Ao todo, são 1.037 pessoas na espera por transplante, destas, 366 estão na espera por transplante de rim.

Para o Chanceler Airton Queiroz, a campanha contribui ao longo desses 12 anos para a mobilizar a população em prol da solidariedade. " A Universidade de Fortaleza tem papel fundamental criando meios para sensibilizar a sociedade e não poupamos esforços, pois sabemos o resultado do nosso trabalho. Todos os anos, realizamos uma série de ações através de meios de comunicação, como anúncios, distribuição de cartilhas e cartazes, inserções em TV e distribuição de camisas e bótons", diz.

Evolução

"Desde o início da campanha, se compararmos com os números de doações de órgãos e tecidos no Estado do Ceará, e com a evolução do movimento, há uma relação linear, mostrando que essa exposição na mídia, nos meios de comunicação para a sociedade, assim como a discussão gerada a partir da campanha, traz um impacto positivo no aumento da doação de órgãos e tecidos", diz Flávio Ibiapina, diretor do Centro de Ciências da Saúde da Unifor.

"A doação de órgãos e tecidos é uma área multidisciplinar e interdisciplinar, ou seja, há várias disciplinas envolvidas no conhecimento necessário para que o profissional de saúde atue com uma equipe de captação ou numa equipe de execução de transplantes. Esses aspectos envolvem tanto o lado jurídico da bioética, que são todos os conteúdos trabalhados com o aluno desde o início dos diversos cursos da área da saúde da Universidade, e também aspectos técnicos mais específicos, como a questão de diagnósticos de morte encefálica, que também são trabalhados em disciplinas que tratam de diagnósticos mais específicos", enfatiza.

Esse debate que a campanha Doe de Coração provoca para a sociedade, coloca para as autoridades uma obrigação de cumprir com os requisitos técnicos necessários para dar um suporte a esse aumento da doação de órgãos e tecidos, já que a sociedade se encontra mais esclarecida, portanto mais motivada para fazer a doação de órgãos e tecidos", diz Ibiapina.

Para a Reitora da Unifor, Fátima Veras, a Campanha Doe de Coração tem um papel importante para a mudança de postura da sociedade em relação à doação de órgãos. "À medida que ela orienta e sensibiliza as famílias para a decisão de doar, ela mostra que um ato de solidariedade pode trazer esperança para outras famílias. Para se ter uma ideia, em relação a julho do ano passado, tivemos 59 doações a mais do que igual período deste ano. Isso demonstra que a população está mais solidária", enfatiza a Reitora.

Segundo o Ministério da Saúde, o passo principal para se tornar um doador é conversar com a família e deixar bem claro o desejo de ser doador. Não é necessário deixar nada por escrito. A doação de órgãos pode ocorrer a partir do momento da constatação da morte encefálica. Em alguns casos, a doação em vida também pode ser realizada em caso de parentesco até 4ºgrau ou com autorização judicial (não parentes).