Mães de BH relatam escolha do tipo de parto em diferentes experiências

Diálogo com paciente ajuda a tomar uma decisão consciente, diz médico.

Foi ao ver o primeiro sobrinho nascendo de um parto natural, na penumbra, em uma piscina, que a administradora de empresas Lorena Sill, 27 anos, de Belo Horizonte, decidiu optar pelo mesmo método se um dia desse à luz uma criança. “Eu tinha 15 anos e me lembro de ter resolvido ali que o meu parto seria da mesma forma, sem anestesia”, conta. Embora a mineira tenha tido essa certeza, a escolha pela forma como um filho vai vir ao mundo pode ser difícil para muitas mães. “A cesariana não deve ser uma prioridade, e sim uma alternativa”, afirma o médico obstetra Marcos Sales Rezende.

Lorena, agora, exibe o barrigão de oito meses da segunda gravidez. Ela  afirma ter optado pela ausência da anestesia na primeira experiência por não ter nenhum estudo comprovando o impacto das substâncias contidas na injeção para a saúde da criança, ao longo da vida. “Quando eu engravidei pela primeira vez, há três anos, eu fui ao médico e simplesmente comuniquei que meu parto seria natural. Ele me deu força, em nenhum momento tentou me convencer do contrário”, lembra. 

No dia em que a bolsa estourou e ela foi para o hospital, Lorena lembra da presença do médico anestesista todo o tempo ao seu lado. “Ele tentou me convencer muitas vezes. Como doía muito, eu quase me rendi, mas aguentei até o fim”, conta. O marido também esteve por perto nas nove horas de trabalho de parto, desde a primeira contração.  A administradora afirma que a dor é imensa, mas passageira. “É um tipo de dor que não dá pra explicar, porque ela não deixa vestígios. Ela é muito forte, muito mesmo. Mas passageira. Depois que a Amelie nasceu, me colocaram em uma sala de recuperação. Eu estava tão bem que comecei a me perguntar o que que eu estava fazendo ali. Queria minha filha, queria ir pra casa logo”, diz. 

A estudante de farmácia Gabriela Magalhães, 26 anos, deixou para o final da gestação a decisão entre o parto normal e a cesariana. “Nas minhas últimas semanas, eu fui a minha médica e ela me disse que minha placenta estava com pouco líquido e que não dava pra ter um parto normal seguro”, conta. Sem escolha, ela acabou optando pela cirurgia, por medo de colocar o pequeno Antônio em sofrimento. “Cheguei a procurar um especialista em parto normal, mas, apesar de me incentivar a tentar, ele me disse que a mulher deve ser preparada desde o início da gravidez para esse processo”, conta. 

Com data e hora marcada, em uma cesariana tranquila, Antônio nasceu cheio de saúde. O pós-operatório, de acordo com a estudante, mãe de primeira viagem, foi o mais doloroso. Gabriela precisou ficar internada durante quatro dias, além de prolongar o uso de medicamentos para aliviar a dor. “Pelo que a mulher passa depois da cesariana é que eu acho que o parto normal sempre deve ser a melhor escolha, mas, no meu caso, eu não tinha essa alternativa, porque poderia colocar meu filho em risco. Preferi não arriscar, me senti insegura”, analisa.

Natural, normal e cesariana 
De acordo com o médico Marcos Sales, o parto natural deve ser a primeira consideração de uma grávida, levando em conta os mecanismos do corpo humano, que preparam todas as mães para o nascimento de um bebê. “O que define esse método é a ausência da interferência de um médico em todo o processo”, explica.  Segundo o especialista, a mulher, no momento do parto, produz um hormônio chamado oxitocina, que determina a contração do útero e faz os movimentos para ajudar o bebê a sair.

Segundo Sales, no caso do parto normal, pode haver interferência médica, como é o caso de algumas mães que necessitam da introdução de substâncias estimuladoras de contrações e dilatações. Nesse tipo de procedimento, também se pode optar pela anestesia para diminuir a dor.  A grande vantagem desses casos é a expectativa de um pós-parto tranquilo, sem dores. “Na maioria das vezes, a mulher já consegue andar, logo depois, não sente dor nenhuma, porque o corpo é preparado para se recuperar com rapidez”, diz  Sales.

A cesariana é definida pelo médico como um parto cirúrgico. “É usada quando é impossível o bebê nascer naturalmente.  No procedimento, sete camadas de pele da mulher são cortadas. Após a cirurgia, são usados analgésicos mais potentes para que a mãe tenha um pós-parto mais confortável”, explica. Ele ressalta a importância da cirurgia, em alguns casos, para salvar a vida da mãe ou do filho. "A cesárea é um grande avanço. Por meio dela já foi possível salvar muitas vidas".

Mesmo assim, o médico considera que a cesariana é algo cada vez mais banalizado no Brasil, principalmente pela praticidade que ela oferece. “É característica da nossa cultura, que busca sempre facilidades. Se você pode marcar a data e a hora de ter o seu bebê, por que não? Muitas mulheres pensam assim, infelizmente”. 

Laura de Las CasasDo G1 MG