Gleisi Hoffmann aparece como 'morta' em cadastro do SUS e com apelido de 'Bolsonaro'

Hoffmann precisa provar que está viva para conseguir tomar a segunda dose da vacina contra a Covid-19, prevista para setembro

Apresidente do PT, Gleisi Hoffmann Foto: Jorge William/Agência O Globo 

Presidente do PT enfrenta burocracia para poder receber a segunda dose da vacina contra Covid-19; um documento foi encaminhado ao Ministério da Saúde solicitando correções dos dados

Rodrigo Castro

RIO - A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, teve o cadastro no Sistema Único de Saúde (SUS) cancelado após ser dada como "morta". No mesmo documento, foi atribuído a ela o apelido de "Bolsonaro". A informação foi revelada pela 'Folha de S. Paulo' e confirmada pelo GLOBO.

Hoffmann precisa provar que está viva para conseguir tomar a segunda dose da vacina contra a Covid-19, prevista para setembro. Ela recebeu a primeira dose no dia 26 de junho em Brasília. A própria unidade de saúde onde a deputada foi vacinada informou que seu Cadastro Nacional do SUS havia sido cancelado por motivo de óbito.

— Levei um susto! Segundo a unidade de saúde, impede (que receba a segunda dose). Me avisaram logo para que eu pudesse regularizar logo a situação - disse a deputada ao GLOBO.

Segundo a parlamentar, já foi feito contato com o Ministério da Saúde via serviço de atendimento, por telefone, solicitando o processo de regularização.

— Vamos aguardar alguns dias. Se não acontecer, terei de tomar medidas judiciais, uma ação de obrigação de fazer.

Em publicação nas redes sociais, Hoffmann disse que o motivo teria sido um ataque hacker ao sistema em 2019 e sugeriu que a fraude deve ter atingido muitas pessoas. A deputada ainda cobrou uma ação por parte do Ministério da Saúde.

Cadastro da deputada Gleisi Hoffmann no SUS foi inativado por motivo de 'óbito'

"Meu cadastro no SUS foi cancelado por motivo de óbito e consta no documento, como apelido, o nome do Bolsonaro. Segundo informações isso foi em 19, ataque em massa ao sistema. A fraude deve ter atingido muitas pessoas. O q o MS fez para corrigir isso, 2 anos depois? O que vai fazer?", escreveu a presidente do PT.

A parlamentar recorreu ao deputado Alexandre Padilha (PT-SP), ministro da Saúde na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff. O comentário foi feito ontem durante uma reunião da bancada do partido.

Os senadores do grupo que reúne a maioria dos senadores na CPI da Covid saíram do depoimento dos irmãos Miranda sobre suspeitas de corrupção no contrato da Covaxin com uma certeza: diante dos novos fatos e linhas de investigação, será inevitável prorrogar a CPI Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

Padilha recordou ataques de hackers ao sistema da pasta em 2019, bem como o vazamento de dados de pelo menos 16 milhões de brasileiros que tiveram diagnótico suspeito ou confirmado de Covid-19, entre eles o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como revevou o 'Estadão'. Na ocasião, o deputado acionou o Tribunal de Contas da União (TCU).

— À época, fizemos uma representação ao TCU, um requerimento de informação de apuração ao Ministério da Saúde e uma audiência pública na Câmara, na qual o ministério disse que estava apurando o que havia acontecido. Até hoje não tivemos resultado dessa apuração — disse Padilha ao GLOBO. — Durante a reunião, eu disse que acreditava que o nome dela deveria ter sido alterado junto com outras pessoas. Inclusive a alteração tem as características desse bolsonarismo à época, essa coisa de citar o Bolsonaro.

Procurado, o Ministério da Saúde ainda não retornou até esta publicação. O espaço segue aberto.

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