Complexo Industrial do Pecém fará parte de projeto da ONU
As Nações Unidas pretendem monitorar os impactos dos grandes empreendimentos nas comunidades
O acordo foi assinado por Camilo Santana e pelo diretor regional para América Latina e Caribe da ONU-Habitat, Elkin Velasquéz FOTO: FABIANE DE PAULA TERRITÓRIO-PILOTO Velasquéz (à esq) foi recebido, no Sistema Verdes Mares, pelo diretor do Grupo Edson Queiroz, Igor Queiroz Barroso e pelo diretor de Programação, Edilmar Norões Um dos principais polos de desenvolvimento do Brasil, o Complexo Industrial do Porto do Pecém (CIPP) fará parte de um projeto-piloto do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU Habitat) que pretende monitorar os impactos socioeconômicos de grandes empreendimentos brasileiros nos territórios onde estão instalados. A iniciativa, cuja proposta é construir modelos de desenvolvimento integrado para as regiões afetadas de modo a melhorar as condições de vida locais, foi abordada, ontem, durante a visita de Elkin Velasquéz, diretor regional para América Latina e Caribe da ONU-Habitat, ao Sistema Verdes Mares. Velasquéz foi recebido pelo diretor do Grupo Edson Queiroz, Igor Queiroz Barroso, e pelo diretor de Programação do Sistema Verdes Mares, Edilmar Norões. Após a visita, o diretor regional da ONU oficializou o projeto ao assinar acordo com o governador do Ceará, Camilo Santana, no Palácio da Abolição. Liane Freire, presidente do Instituto Dialog, organização que trabalha com a promoção da equidade social, também participou da cerimônia de homologação do documento. Segundo Velasquéz, a análise dos reflexos da implantação do CIPP no Estado será realizada a partir da criação de um Observatório Regional. O projeto utilizará como metodologia o Índice de Prosperidade das Cidades (IPC), elaborado pela ONU para avaliar indicadores de desenvolvimento e subsidiar o planejamento de ações que possibilitem o progresso das regiões monitoradas. Por meio da ferramenta, é mensurado o desempenho de municípios em cinco diferentes eixos: produtividade, infraestrutura, igualdade, qualidade de vida e sustentabilidade ambiental. "É a primeira vez que o Índice vai ser aplicado a um sistema de cidades, e o Ceará vai ser o território-piloto, porque sabemos de todos os esforços que estão sendo feitos para melhorar a qualidade de vida naquela região", afirma Velasquéz. O diretor regional explica que o Observatório, ainda sem data definida para ser lançado, terá governança múltipla, reunindo o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil. Ele acredita que a formulação das estratégias sociais e econômicas para a área de influência do Complexo Industrial será mais efetiva. "A palavra chave é planejamento. Sempre que há grandes empreendimentos em um local, existe a necessidade de se adaptar, de preparar o território, de preparar a administração pública, e de pensar em bons investimentos para que as consequências sejam o crescimento da economia e a melhora da situação social", completa. Para Camilo Santana, a iniciativa da ONU terá importância fundamental no planejamento de ações voltadas, principalmente, para os municípios de São Gonçalo do Amarante, Paracuru e Caucaia, atingidos de forma direta pelo CIPP. O trabalho envolverá, ao todo, oito Pastas, como a Secretara de Desenvolvimento Econômico (SDE), Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Secretaria de Relações Institucionais e Secretaria da Fazenda (Sefaz). De acordo com o governador, dentre as demandas que devem nortear a gestão, estão a construção de moradias, o gerenciamento de resíduos sólidos, a oferta de serviços e o abastecimento de água. "Com o advento da Siderúrgica do Pecém, a partir do próximo ano, teremos milhares de pessoas trabalhando no complexo. Isso vai requerer planejamento do ponto de vista habitacional, do saneamento, da questão dos resíduos sólidos e do problema da água, já que estamos em situação de dificuldade", destacou. Iniciativa privada Representante da iniciativa privada no projeto, o diretor do Grupo Edson Queiroz, Igor Queiroz Barroso, afirma que o setor empresarial atuará juntamente com o Governo do Estado e com as prefeituras municipais para impulsionar o desenvolvimento nas cidades impactadas pelo CIPP. Segundo o empresário, o Observatório Regional a ser implantado pela ONU terá parceria com a Universidade de Fortaleza (Unifor), para a realização de pesquisas acerca do Complexo e da área onde está inserido. "A iniciativa busca adotar uma zona portuária que, normalmente, acaba tendo problemas sociais, e trazer esse índice de prosperidade. A iniciativa privada tem a característica de realizar de forma imediata e de cobrar a execução de cronogramas, então iremos contribuir trazendo esse perfil para o projeto", frisou. Além do Complexo do Pecém, outros dois territórios foram selecionados pelo projeto: a Região Integrada Tapajós, no Pará e a Costa Verde, no Rio de Janeiro.




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