Ibovespa avança aos 183 mil pontos, de olho em inflação e juros no Brasil e nos EUA; dólar cai
No Brasil, o principal destaque da agenda é a prévia da inflação de janeiro, divulgado nesta terça-feira pelo (IBGE)
Na véspera, a moeda americana teve queda de 0,13% e renovou o menor patamar desde novembro, cotada em R$ 5,2798. Já a bolsa brasileira interrompeu uma sequência de ganhos e caiu 0,08%, aos 178.721 pontos.
Por Redação g1 — São Paulo - 27/01/2026
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O Ibovespa opera em alta e caminha para um novo recorde nesta terça-feira (27), tendo alcançado os 183 mil pontos na máxima do dia. Perto das 14h40, o índice subia 2,21%, aos 182.669 pontos. No mesmo horário, o dólar recuava 1,14%, a R$ 5,2195 — mesmo patamar de maio de 2024.
▶️ No Brasil, o principal destaque da agenda é a prévia da inflação de janeiro, divulgado nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador mostrou alta de 0,20%, levemente abaixo das projeções.
▶️ O dado de inflação foi divulgado em meio às expectativas pelas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, previstas para amanhã, na chamada Superquarta. A previsão do mercado é que tanto o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, quanto o Federal Reserve (banco central americano) anunciem a manutenção de suas respectivas taxas de juros.
▶️ Investidores também monitoram com cautela as sinalizações do presidente Donald Trump sobre o novo nome escolhido para liderar o Fed. Há temores de que o indicado sofra pressão política para cortar juros mais rápido, o que poderia enfraquecer a independência do banco central.
▶️ Nos EUA também voltou ao radar o risco de paralisação do governo americano (shutdown), devido ao impasse no Congresso sobre o Orçamento e a área de segurança.
• As preocupações voltaram a pesar nos mercados após Trump mudar de postura em relação ao estado de Minnesota, onde uma onda de protestos ganhou tração após a morte de um homem pela Patrulha das Fronteiras — o que reacendeu debates sobre a atuação do departamento de segurança interna dos EUA.
▶️ Ainda no cenário internacional, a União Europeia (UE) e a Índia fecharam um grande acordo comercial após 20 anos de negociações, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com um mercado de cerca de 2 bilhões de pessoas.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
• Acumulado da semana: -0,13%;
• Acumulado do mês: -3,81%;
• Acumulado do ano: -3,81%.
📈Ibovespa
• Acumulado da semana: +8,53%;
• Acumulado do mês: +11,01%;
• Acumulado do ano: +11,01%.
Inflação
• IPCA-15
A prévia da inflação oficial (IPCA-15) subiu 0,20% em janeiro, segundo o IBGE, um pouco abaixo do que o mercado esperava. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,50%.
Os maiores aumentos vieram de saúde e cuidados pessoais (como plano de saúde e produtos de higiene) e de comunicação (especialmente celulares).
A alimentação também voltou a subir, puxada por itens como tomate, batata, frutas e carnes, enquanto leite, arroz e café ficaram mais baratos.
Por outro lado, os preços de transportes caíram, principalmente por causa da queda nas passagens aéreas e de medidas como tarifa zero em algumas cidades.
Juros
• Copom
A primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2026, marcada para esta terça-feira (27) e quarta-feira (28), ocorre em meio à expectativa de que o BC comece a cortar os juros ainda no primeiro trimestre deste ano.
O Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (26) pelo Banco Central, mostrou que os eco-nomistas do mercado financeiro seguem acreditando que os juros vão recuar neste ano.
Após a Selic ter encerrado 2025 em 15% ao ano — o maior nível em quase 20 anos — na tentativa de conter a inflação, a projeção foi mantida em 12,25% ao ano. Ou seja, o mercado projeta uma queda de 2,75 pontos percentuais na Selic neste período.
A pesquisa do Focus é realizada semanalmente com mais de 100 instituições financeiras.
• Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a sequência de embates entre o governo e o Federal Reserve mantém o mercado cauteloso quanto ao nome que o presidente Donald Trump indicará para assumir a presidência do banco central ao término do mandato de Jerome Powell.
A reunião do Federal Reserve também estáno radar dos investidores. O encontro começa hoje e termina na quarta-feira, quando será divulgada a nova decisão de política monetária.
O mercado acredita que há grande chance de o banco central manter os juros como estão.
• Tensões geopolíticas
Enquanto isso, as tensões geopolíticas continuam. Nesta segunda, Trump decidiu aumentar de 15% para 25% as tarifas sobre produtos da Coreia do Sul, como carros, madeira e remé-dios.
O presidente dos EUA disse que tomou essa decisão porque o Parlamento sul-coreano não cumpriu um acordo comercial feito no ano passado. A Coreia do Sul afirmou que vai tentar negociar.
Ao mesmo tempo, a China anunciou que vai se aproximar ainda mais da Rússia, aumentando a cooperação entre os dois países para enfrentar riscos externos, principalmente depois que os EUA divulgaram uma nova estratégia de defesa.
UE e Índia
O novo pacto comercial entre a Europa e a Índia firmado hoje reduz tarifas em vários setores e deve ampliar o comércio entre as duas regiões.
A UE espera economizar até 4 bilhões de euros por ano com a queda das taxas indianas, enquanto a Índia quer aumentar exportações de têxteis, joias e produtos de couro.
Entre os principais cortes estão os impostos sobre carros europeus (de 110% para 10%), vinho (de 150% para 20%) e produtos como massas e chocolate, que terão tarifas zeradas.
O acordo também prevê cooperação em áreas como tecnologia, investimentos, circulação de trabalhadores, educação, segurança e defesa.
Em um cenário global instável, UE e Índia buscam se fortalecer economicamente e reduzir a dependência de grandes potências como China, Rússia e Estados Unidos.
Bolsas globais
Em Wall Street, os índices futuros indicam um dia de abertura com sinais positivos para tecnologia (Nasdaq e S&P) e um desempenho mais fraco para o Dow, com os mercados na expectativa por dados e decisões que podem influenciar os juros nos EUA.
Por volta das 10h, Dow Jones operava em queda de 0,53%; S&P subia 0,23% e Nasdaq avançava 0,61%.
As bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em alta nesta terça-feira, puxadas por sinais de melhora nos lucros das empresas chinesas e pelo bom desempenho recente das bolsas americanas
Na China, o índice de Xangai subiu 0,18%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas do país, ficou praticamente estável, com leve queda de 0,03%.
Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1,35%, refletindo principalmente a alta das ações de tecnologia.
Outros mercados asiáticos também acompanharam o movimento positivo. Em Tóquio, o índi-ce Nikkei subiu 0,85%. Na Coreia do Sul, o Kospi teve forte alta de 2,73%. Em Taiwan, o Taiex avançou 0,79%. Já em Cingapura, o Straits Times ganhou 1,28%, e, na Austrália, o S&P/ASX 200 subiu 0,92%.
*Com informações da agência de notícias Reuters
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/01/27/dolar-ibovespa.ghtml




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