Marina compara vídeo do PT sobre corrupção à campanha contra Lula
Em 2002, campanha do PSDB foi acusada de promover medo contra Lula.
Pré-candidata a vice na chapa encabeçada por Eduardo Campos (PSB), a ex-senadora Marina Silva comparou nesta sexta-feira (16) vídeo exibido pelo PT para alertar sobre eventual risco de o país retroagir no combate à corrupção caso o partido não se mantenha à frente do governo federal ao "discurso do medo" promovido contra Lula, pelo PSDB, na eleição de 2002. Na visão de Marina, o filme “Com gavetas”, exibido pelo PT nesta quinta (15) e que aborda a corrupção, é um “desserviço” por trazer “medo” à população.
“Acho um desserviço querer trazer algo ainda mais negativo, que é o medo. O próprio PT, lá atrás, quando as pessoas tentavam fazer com que a sociedade tivesse medo do Lula, colocou aquela frase de que a esperança venceu o medo. E eu não acredito que a esperança não possa ser vencida pelo medo novamente”, disse Marina Silva, durante encontro com jovens da Rede Sustentabilidade, em Brasília.
Acho um desserviço querer trazer algo ainda mais negativo, que é o medo"
Marina Silva, candidata a vice-presidente da República pelo PSB
Em 2002, durante a disputa pela Presidência da República, o PSDB exibiu uma campanha protagonizada pela atriz Regina Duarte na qual ela afirmava que conquistas do governo Fernando Henrique Cardoso, como o controle à inflação, poderiam ser comprometidas se Lula vencesse a eleição. Na ocasião, o tucano José Serra era o adversário do petista.
Na polêmica peça publicitária, a atriz enfatizava: "Eu estou com medo". Em resposta, o PT lançou uma campanha contra Serra que defendia que "a esperança" venceria "o medo".
O filme “Com gavetas”, que tem 30 segundos de duração e foi veiculado nesta quinta em cadeias de rádio e TV, o partido afirma que, no passado, denúncias de corrupção eram arquivadas e que, durante os governos do ex-presidente Lula e no atual, da presidente da Dilma, passaram a ser investigadas pela Polícia Federal “com independência”. No vídeo, o partido questiona se a população quer que o Brasil avance no combate à corrupção ou "voltar ao passado".
Na terça (13), outro vídeo do PT, “Fantasmas do passado”, abordou as conquistas sociais nos últimos anos e exibiu imagens de pessoas que se viam no passado sem emprego, acesso a remédios, lavando carros nas ruas, o que gerou críticas dos principais adversários de Dilma na disputa presidencial. "Não podemos deixar que os fantasmas do passado voltem e levem tudo", dizia a campanha.
Para a candidata a vice na chapa de Eduardo Campos, as conquistas da população nos últimos anos não são “favor” do governo. Para ela, é preciso preservá-las, sem querer “fulanizá-las”, sem atribuir a alguém a responsabilidade por avanços no país.
“Aquilo que foi conquistado não é um favor, é um direito. Temos que educar os partidos políticos a não ficar fulanizando as conquistas, mas institucionalizar as conquistas. A estabilidade econômica foi uma contribuição do PSDB, mas hoje é da população. A inclusão social foi uma contribuição do governo do PT, mas é uma conquista da sociedade brasileira”, enfatizou.
“Eu acho que os brasileiros conseguem verificar que existe hoje uma força política que vai manter as conquistas, buscando a estabilidade econômica, mantendo as conquistas sociais, e vai aprofundar as conquistas e encarar os desafios. (...) A minha disposição e a do Eduardo [Campos] é que vamos dialogar com os dois legados, preservando o que precisa ser preservado e corrigir os erros que precisam ser corrigidos, enfrentando novos desafios”, complementou a ex-senadora.
Legado da Copa
Questionada por jornalistas sobre os legados que ela acredita que a Copa do Mundo deixará ao Brasil, Marina Silva afirmou que o momento é “delicado” em função das obras que ainda não estão prontas para o mundial.
“Havia todo um discurso de que haveria um legado da Copa do Mundo à sociedade brasileira e agora a sociedade está percebendo que o que estava no relatório não está conferindo com o que está acontecendo no território”, disse.
“Mas todos nós temos que torcer pelo Brasil, e eu não sou da política do ‘quanto pior, melhor’. Eu quero que, de fato, fique um legado, eu queria que as coisas estivessem acontecendo com planejamento, tivessem acontecendo da forma correta, inclusive com transparência e o devido acompanhamento da sociedade”, completou.
Filipe MatosoDo G1, em Brasília




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