Policial denuncia crime sexual cometido por funcionário de hospital após cirurgia em Fortaleza

O Hospital Uniclinic informou que o suspeito trabalha como maqueiro terceirizado

A Polícia Militar foi acionada para a ocorrência, em um hospital particular em Fortaleza. — Foto: Polícia Militar do Ceará/Divulgação

O suspeito, que presta serviço terceirizado ao hospital, foi levado à delegacia, mas foi liberado. A Polícia Civil abriu um inquérito por portaria para investigar o caso.

Por Lena Sena, g1 CE - 28/08/2026 

• Um policial militar denunciou ter sido vítima de crime sexual em hospital de Fortaleza nesta quarta-feira (26). O suspeito foi levado à delegacia e liberado.

• O Hospital Uniclinic informou que o suspeito trabalha como maqueiro terceirizado. A instituição abriu procedimentos internos e disse que colabora com as autoridades.

• A vítima relatou que acordou sob efeito de anestesia após cirurgia e viu o homem com a mão em seus shorts. O policial avisou uma enfermeira em seguida.

• Policiais fizeram buscas na unidade de saúde, mas o suspeito já havia deixado o local. Ele foi localizado em casa e encaminhado ao 25º Distrito Policial.

• O soldado recebeu alta nesta quinta (27) e prestou depoimento. A defesa do policial informou que o procedimento corre em sigilo e busca a preservação de imagens.

Um soldado da Polícia Militar denunciou ter sido vítima de um crime sexual cometido por um funcionário de um hospital particular, após passar por uma cirurgia, no bairro José Bonifácio, em Fortaleza, na quarta-feira (26). O suspeito foi levado à delegacia, mas foi liberado. A Polícia Civil abriu um inquérito por portaria para investigar o crime.

O crime teria ocorrido no Hospital Uniclinic. Em nota, a instituição destacou que o suspeito é um maqueiro, vinculado a uma empresa terceirizada pelo hospital, e afirmou que, "desde a co-municação do fato, foram iniciados os procedimentos internos pertinentes, com levantamento e preservação das informações e registros relacionados ao episódio, permanecendo o Hospital à dis-posição das autoridades para prestar os esclarecimentos e fornecer os elementos que venham a ser formalmente solicitados" (leia a nota na íntegra abaixo). 

O g1 conversou com o policial militar que denunciou o crime. O PM, que terá a identidade preserva-da, contou que se internou na unidade hospitalar para fazer uma cirurgia ortopédica no joelho direito. Por conta do procedimento, ele teve que tomar a raquianestesia, que bloqueia a dor e os movimentos da cintura para baixo.

Ao acordar em uma sala após a cirurgia, o militar visualizou um funcionário com a mão dentro do short dele.

"Não conseguia me mexer, nem falar direito ainda, então fingi que estava dormindo. Ele olhava fixamente para os meus olhos e fazendo os movimentos com a mão esquerda den-tro do meu short", relatou o policial ao g1.

Quando o suspeito saiu da sala, o agente avisou a uma enfermeira o que havia ocorrido. Em segui-da, ele acionou uma viatura da Polícia Militar.

"Três policiais foram na unidade e fizeram buscas pelo homem, de acordo com as características que repassei, mas o suspeito não estava mais no hospital", disse o soldado.

O g1 procurou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para obter informações sobre a investigação do crime, mas a pasta disse que o retorno seria dado pela Polícia Militar. Não houve resposta da corporação até a publicação desta matéria.

Suspeito abordado em casa

A partir de informações colhidas com outros funcionários, os policiais identificaram que o suspeito fazia parte de uma cooperativa que presta serviço para a unidade de saúde e deixou o local antes do fim do plantão.

O suspeito foi encontrado pela polícia já em casa. Ele foi levado ao 25º Distrito Policial, onde foi ouvido e liberado.

Nesta quinta-feira (27), o soldado vítima da importunação recebeu alta hospitalar e também compareceu à delegacia para prestar depoimento.

Os advogados Paulo Sidney Teixeira de Almeida e Dennis Rocha Passos Nunes dos Santos, que representam a vítima, informaram que o procedimento segue em sigilo.

"Os patronos confiam no trabalho técnico da Polícia Civil do Ceará e reiteram disposição de colabo-rar, inclusive mediante requerimento de diligências complementares. Paralelamente, diligenciam junto à diretoria e à ouvidoria do hospital, buscando esclarecimentos e a preservação de todo ma-terial probatório relevante, sobretudo imagens de videomonitoramento e registros hospitalares", diz a nota dos advogados da vítima.

Confira a nota do Hospital Uniclinic na íntegra:

"O Hospital Uniclinic informa que tomou conhecimento da ocorrência e, desde então, vem adotando as providências internas cabíveis, além de colaborar com as autoridades responsáveis pela investigação.

Em relação às informações divulgadas, o Hospital esclarece que o profissional mencionado na ocorrência exercia a função de maqueiro, e não de enfermeiro, e não integra o quadro de empregados do Hospital Uniclinic, sendo vinculado a empresa terceira prestadora de serviços à instituição.

Desde a comunicação do fato, foram iniciados os procedimentos internos pertinentes, com levanta-mento e preservação das informações e registros relacionados ao episódio, permanecendo o Hospi-tal à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos e fornecer os elementos que ve-nham a ser formalmente solicitados.

O Hospital Uniclinic trata com absoluta seriedade qualquer relato que possa envolver violação à dignidade, à integridade ou à segurança de seus pacientes. Considerando que os fatos estão sob investigação, qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade individual deve decorrer da apuração regular pelas autoridades competentes.

Por respeito às pessoas envolvidas, ao sigilo das informações de saúde e à investigação em andamento, o Hospital não divulgará detalhes adicionais sobre o caso neste momento.

O Hospital Uniclinic reafirma seu compromisso com a segurança, o respeito e a dignidade de seus pacientes e seguirá colaborando para o esclarecimento dos fatos."

https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/08/28/policial-denuncia-crime-sexual-apos-cirurgia-em-hospital-de-fortaleza.ghtml