Tiroteios em comunidades do Rio deixam pelo menos 9 mortos em 12 horas; seis eram suspeitos, diz PM

Polícia Militar afirma que equipes foram atacadas em cinco pontos diferentes.

Identidade das outras três vítimas ainda não foi informada. Polícia Militar afirma que equipes foram atacadas em cinco pontos diferentes.

Por Filipe Fernandes e Larissa Caetano*, Bom Dia Rio

Em menos de 12 horas, entre a noite de segunda-feira (26) e a manhã desta terça (27), trocas de tiros entre PMs e traficantes em diferentes pontos do Rio deixaram pelo menos nove pessoas mortas, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

A PM afirma que seis dos mortos eram suspeitos e que estava apurando a identidade dos outros três.

Três postos de saúde nas regiões fecharam as portas por causa dos conflitos e suspenderam a vacinação contra a Covid.

Até a última atualização desta reportagem, eram:

Dois mortos no Morro dos Prazeres, no Rio Comprido;

Seis mortos no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho;

Um morto no Morro da Providência.

Houve confrontos, sem confirmação de vítimas, em outras três comunidades:

Providência, na região central;

Mangueira, na Zona Norte;

Lins, na Zona Norte.

Tiroteio termina com mortos na Região Central do Rio

A noite de segunda-feira e a madrugada de terça foram marcadas por tiroteios no Morro dos Prazeres, na Zona Norte do Rio. O barulho dos tiros pode ser ouvido no vídeo acima.

Segundo a Polícia Militar, a troca de tiros começou após traficantes atacaram agentes da corporação. O chefe do tráfico do morro, conhecido por 'Marcelinho dos Prazeres', e outro traficante, identificado apenas como Gabriel GB, morreram.

Uma mulher que estava em uma van foi atingida por uma bala perdida de raspão no pescoço. Ela foi medicada e não corre risco de vida.

Outros três homens também foram baleados e levados para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. Ao menos um deles era traficante, mas não há informações sobre a identidade e o estado de saúde dele e dos demais.

Os agentes da polícia apreenderam um fuzil, uma pistola, carregadores e drogas.

Juramento

Polícia faz operação no Morro do Juramento — Foto: Reprodução/TV Globo

No Juramento, também na Zona Norte do Rio, a troca de tiros entre policiais e traficantes deixou quatro suspeitos baleados. Eles foram socorridos ao Hospital Municipal Salgado Filho.

Numa rede social, moradores contaram que um dos mortos no tiroteio era um homem chamado Gemerson, que mora em Caxias e trabalhava numa empresa na Rua Arcádia.

O Globocop flagrou quando uma viatura levava os feridos. Um PM chegou a fazer o percurso do lado de fora do carro, preso à janela, por causa da lotação.

Segundo a PM, o tiroteio começou após uma equipe flagrar traficantes atravessando a passarela que liga o Juramento ao Juramentinho, na Avenida Pastor Martin Luther King Jr, em Tomás Coelho.

Policiais do 41º BPM (Irajá) apreenderam um fuzil, uma pistola e uma granada.

Por causa do tiroteio, a Clínica da Família Herbert de Souza, em Tomás Coelho, foi fechada. A vacinação contra a Covid foi suspensa.

Providência

Na Providência, região central do Rio, segundo a PM, equipes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Providência e da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) estavam em policiamento na comunidade quando foram atacados. Uma pessoa morreu.

A PM disse que um criminoso foragido da Justiça, conhecido como Fernandinho da PV, ficou ferido no confronto e levado para o Hospital Souza Aguiar.

A Clínica da Família Nelio de Oliveira, na Gamboa, e o Centro Municipal de Saúde do Santo Cristo também fecharam as portas e suspenderam a vacinação contra a Covid, por segurança.

Mangueira

Na Mangueira, também na Zona Norte, moradores afirmaram em redes sociais que acordaram ao som de tiros. De acordo com os relatos, os disparos começaram por volta das 5h.

A Polícia Militar afirmou que policiais da UPP foram atacados a tiros, perto da base da unidade, e reagiram.

Um PM ficou ferido e foi levado para o Hospital Souza Aguiar.

Complexo do Lins

A Polícia Militar informou que agentes faziam o patrulhamento no acesso de uma localidade conhecida como Gambá quando foram atacados por criminosos e revidaram. Não há registro de feridos, prisões ou apreensões.

Operações excepcionais

Há dez meses as operações em favelas do Rio estão proibidas pelo Supremo Tribunal Federal, por causa da pandemia.

A decisão só autoriza ações em hipóteses excepcionais.

E nesses casos, ainda é preciso justificar, por escrito, ao Ministério Público do estado, em até 24 horas.

Mas, de acordo com um levantamento do MP, desde o início dessa restrição foram registradas 500 operações em comunidades do estado.

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