Fisiculturista é capturado por fabricar e vender esteroides

Segundo a Polícia, apreensão do material foi a maior da história do Estado, ao somar cerca de R$ 300 mil

MAIOR DISTRIBUIDOR DO ESTADO Conforme as investigações, o suspeito, natural do Espírito Santo, produzia o material em um apartamento localizado no bairro Jacarecanga e realizava a distribuição utilizando nomes e embalagens de empresas falsas FOTO: ÉRIKA FONSECA O nutricionista e fisiculturista capixaba Alexsander Albuquerque Pacífico, de 29 anos, foi preso no bairro Meireles A Polícia Civil do Ceará detalhou ontem a operação que culminou na maior apreensão de anabolizantes do Estado. Mais de 15 mil comprimidos, além de centenas de ampolas com esteroides, foram localizados em um apartamento que servia de laboratório. O responsável pela fabricação e distribuição do material, conforme as investigações, é o nutricionista e fisiculturista capixaba Alexsander Albuquerque Pacífico, de 29 anos. Segundo a Polícia, ele seria o maior distribuidor de anabolizantes do Ceará. O delegado Sérgio Santos, diretor da Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD) e o delegado Antônio Pastor, diretor da Divisão Antissequestro (DAS), explicaram os detalhes das investigações, que duraram aproximadamente dois meses. Importador Conforme o diretor da DCTD, Alexsander importava matéria-prima da China pela Internet para fabricar os produtos em casa. No processo, o homem fabricou selos holográficos e caixas com inscrições do Canadá para acomodar as substâncias, forjando um suposto anabolizando importado para os clientes. A operação, contudo, teve início a partir de informação obtida pela DAS, conforme o diretor daquela unidade. "Nós recebemos informações de que ele seria o principal fornecedor e fabricante de anabolizantes do Ceará. Contactamos a DCTD e a Delegacia de Canindé, que também tinham informações sobre ele, juntamos tudo e chegamos até o Alexsander", afirmou Pastor. O fisiculturista foi abordado no cruzamento da Rua Osvaldo Cruz com Avenida da Abolição, no Meireles. Alexsander estava em um Ford Fusion de cor branca, com um pacote no banco do passageiro contendo esteroides, pronto para ser entregue a um cliente. "Ele negocia com pessoas ligadas à área da musculação, pessoas que preferem ganhar massa muscular com uso de material, inclusive veterinário. Os clientes são frequentadores de academias da Capital", disse Santos. Segundo a Polícia, ao ser abordado, o fisiculturista quis tirar vantagem dos músculos e tentou se desvencilhar dos policiais, resistindo à prisão. Entretanto, foi dominado e conduzido ao apartamento onde funcionava o laboratório de fabricação. O imóvel, situado na Rua Padre Constantino, bairro Jacarecanga, abrigava o restante do material. Os esteroides eram acomodados em malas. Além dos anabolizantes, caixas vazias e selos holográficos também foram localizados pela Polícia. "Nosso principal objetivo era o laboratório, e conseguimos, chegando até este vasto material, em torno de 15,5 mil comprimidos, a maior apreensão da história do Ceará", afirmou o diretor da DAS. Conforme Sérgio Santos, a apreensão está avaliada em aproximadamente R$ 300 mil. "Apenas uma caixa está avaliada em R$ 2,5 mil. Uma ampola de anabolizantes custa entre R$ 200 e R$ 300. O consumidor imaginava que o produto tinha origem idônea, mas era falsificado", explicou. Empresário De acordo com as investigações, Alexsander atuava como um verdadeiro empresário no submundo de quem optava pelas substâncias na busca pelo corpo perfeito. Quem comprasse acima de determinado valor, poderia até parcelar a compra. Duas maquinetas usadas para transações com cartões de crédito foram encontradas no local. Além disso, um revólver. Alexsander afirmou ter licença para possuir a arma. "Ele importava o material do exterior e com o conhecimento que ele tem, Alexsander fabricava um anabolizante próprio. Ele criou selos e rótulos de empresas fictícias. Embalava os produtos e vendia como se fossem legalizados", explicou. Conforme a Polícia, o fisiculturista teria deixado inclusive pistas da falsificação nas embalagens que utilizava no esquema. Em uma dessas embalagens, é possível observas as letras LAP - o que leva a Polícia à suspeitar que significaria Laboratório Alexsander Pacífico, conforme a reportagem apurou. "Os produtos estavam sem registro nenhum, sob um nome de fantasia que ele criou, para o produto que ele fabricava e vendia como se existissem no mercado", relatou Santos. "Ele quis dizer que todo o material era para consumo próprio, mas temos informações de que há várias pessoas envolvidas. As investigações continuam", disse Pastor. Conforme as investigações da Polícia, Alexsander já atuava no mercado há um ano. Neste tempo, devido aos conhecimentos que possui, tornou-se o principal fabricante e fornecedor de anabolizantes do Estado. Ele foi autuado por falsificação, corrupção e adulteração de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais, além de resistência à prisão. Alexsander, conforme as investigações, costuma participar de eventos de fisiculturismo. Em 2014, ele foi terceiro colocado na categoria acima de 1,78 m em uma competição estadual. No dia 29 de abril, a Polícia Federal deflagrou a Operação Esteroides e cumpriu 18 mandados de busca e apreensão. Levi de Freitas Repórter