Alexandre foi enterrado na manhã desta segunda Foto: Thiago Freitas / Extra
O corpo do comerciante Alexandre Cavalcante de Oliveira, de 36 anos, foi enterrado às 11h desta segunda-feira no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, na Zona Portuária do Rio. Alexandre foi morto na noite deste sábado, quando saía de casa, no Morro da Mangueira, na Zona Norte da cidade, para trabalhar: ele foi atingido por uma bala perdida na cabeça. Os filhos de 3 e 6 anos do comerciante assistiram à cena. Irmão da vítima, Arídio Cavalcante, de 38 anos, contou que o mais novo está extremamente abalado e passou a madrugada inteira com febre.
- O menino grita pelo pai. Fez isso a noite toda. E aí eu te pergunto: o que a gente faz nessas horas? Como falar para uma criança que o pai dele foi vítima do abandono por parte das autoridades? - perguntou Arídio, muito emocionado.
Alexandre foi atingido por uma bala perdida e morreu na frente dos filhos Foto: Fernando Quevedo / O GloboSegundo ele, nenhum representante do governo procurou a família até agora:
- Até agora estamos esperando um apoio das autoridades. Ninguém se fez presente. Ninguém disse nada. Só nos resta não nos calarmos para que ele não se torne apenas mais um número, uma estatística.
Arídio lamenta a falta de apoio por parte das autoridades Foto: Fernando Quevedo / O GloboDurante o velório, na capela H, a viúva de Alexandre, Taiane Campos, de 26 anos, que está grávida de oito meses, foi amparada por parentes. Ela usava uma camisa com a inscrição nas costas: “A UPP matou meu marido”.
A inscriçao na camisa da viúva acusa policiais da UPP Foto: Thiago Freitas / ExtraTaiane chora junto ao caixão do marido Foto: Thiago Freitas / ExtraA casa de Alexandre fica em frente à base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro do Telégrafo. O tiro que atingiu o comerciante foi disparado durante um confronto entre PMs e bandidos. Alexandre era sócio de Arídio numa lan house e trabalhava à noite. A Divisão de Homicídios (DH) instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte: os investigadores querem determinar se a bala que matou Alexandre era dos policiais ou dos criminosos. Um fuzil e cinco pistolas que estavam com os PMs foram apreendidos para serem periciados.
Ana Carolina Torres
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