Hipopótamo de 120 mil anos é achado sob castelo no País de Gales e intriga arqueólogos

A relevância do sítio foi reforçada após a identificação de diferentes camadas de ocupação humana

Descoberta rara em caverna sob o Castelo de Pembroke revela vestígios de humanos primitivos, neandertais e mudanças climáticas ao longo de milênios

Por O Globo — Pembroke 17/04/2026 

Montagem com as escavações — Foto: Divulgação/Universidade de Aberdeen.

O que um hipopótamo estaria fazendo no País de Gales há 120 mil anos? A resposta começou a surgir a partir de uma descoberta considerada excepcional por arqueólogos que escavam uma caverna sob o Castelo de Pembroke, onde foram encontrados ossos do animal pré-histórico, um achado descrito como algo que “só acontece uma vez na vida”.

As escavações na Caverna Wogan, realizadas nos últimos anos, revelaram um sítio arqueológico incomum, com vestígios que vão muito além do período medieval associado ao castelo. Além do hipopótamo, os pesquisadores identificaram restos de mamutes-lanosos e evidências da presença de humanos primitivos, possivelmente incluindo neandertais.

Segundo o arqueólogo Rob Dinnis, da Universidade de Aberdeen, responsável pelas pesquisas iniciais, trata-se de um local sem paralelo na Grã-Bretanha. “Não existe outro sítio arqueológico como este, é uma descoberta que acontece uma vez na vida”, afirmou nesta semana à imprensa local.

Um arquivo raro da pré-história

A relevância do sítio foi reforçada após a identificação de diferentes camadas de ocupação humana. Há indícios tanto de Homo sapiens primitivos quanto de grupos mais antigos, o que pode permitir aos cientistas reconstruir uma longa sequência de presença humana na região.

Os ossos de hipopótamo, por exemplo, remontam ao último período interglacial, cerca de 120 mil anos atrás, quando o clima era significativamente mais quente do que hoje. Já os vestígios humanos mais recentes podem datar de cerca de 11,5 mil anos, logo após a última Era do Gelo.

Apesar de a caverna ser conhecida há séculos, acessível por uma escada em espiral a partir do castelo e possivelmente escavada na era vitoriana, acreditava-se que restava pouco material relevante. Essa percepção mudou após escavações limitadas realizadas entre 2021 e 2024, que revelaram sedimentos amplamente preservados e ricos em achados.

O novo conjunto de descobertas garantiu financiamento para um projeto de pesquisa mais amplo, com duração prevista de cinco anos. A expectativa é aprofundar o estudo das transformações ambientais e entender como diferentes espécies humanas se adaptaram às mudanças climáticas ao longo de mais de 100 mil anos.

Para Jon Williams, gerente do Castelo de Pembroke, a descoberta representa um marco. Ele destacou que a caverna revela uma história completamente distinta da tradicional narrativa medieval do local e que há interesse em preservar e compartilhar esse patrimônio com o público.

Novas escavações estão programadas para começar no fim de maio. Arqueólogos avaliam que a Caverna Wogan pode se tornar um dos mais importantes arquivos da pré-história britânica.

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