Presidente da Nigéria diz crer que meninas sequestradas estão no país  

ONU anunciou que enviará representante para ajudar na busca.

O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, disse nesta sexta-feira (9) acreditar que as mais de 200 alunas sequestradas por militantes islâmicos no mês passado em um ataque que despertou revolta mundial ainda estão no país e não foram levadas ao vizinho Camarões.

O governo de Jonathan tem sido criticado por sua reação lenta à crise das reféns, e esta sexta foi a primeira vez que ele disse crer que as estudantes estejam sendo mantidas no país.

"Há histórias de que eles as tiraram do país. Mas se levarem essa quantidade de meninas para Camarões, as pessoas verão, então acredito que ainda estão na Nigéria", disse Jonathan a jornalistas.

Nesta segunda, o Departamento de Estado americano afirmou que várias nigerianas provavelmente teriam sido levadas da Nigéria para os países vizinhos.

Os militantes atacaram uma escola secundária no vilarejo de Chibok, perto da fronteira com Camarões, em 14 de abril, e sequestraram as alunas, que faziam provas na ocasião. Cinquenta escaparam desde então, mas mais de 200 continuam com os insurgentes.

À medida que cresce a condenação ao sequestro, o mufti da Arábia Saudita, a maior autoridade religiosa do berço do islã, disse que os rebeldes do grupo Boko Haram, que realizaram os sequestros, "decidiram manchar a imagem do islã".

Apoio internacional
Nesta sexta, a ONU anunciou que enviará para a Nigéria um representante da organização para ajudar na busca das meninas.

O secretário-geral Ban Ki-moon decidiu enviar para Abuja o representante especial para a África Ocidental da ONU, Said Djinnit, para discutir maneiras de ajudar as autoridades nigerianas a resgatar as adolescentes.

"Em seus encontros com funcionários de alto escalão do governo, (o enviado) oferecerá a ajuda das Nações Unidas e discutirá como podemos apoiar melhor os esforços das autoridades para devolver, sem riscos, as meninas sequestradas às suas famílias', disse o porta-voz da ONU, Farhan Haq.

Especialistas americanos, britânicos e franceses já chegaram à Nigéria para ajudar na busca e no resgate das adolescentes, depois que o chefe do grupo extremista, Abubakar Shekau, divulgou um vídeo, ameaçando vendê-las como "escravas", ou "casá-las à força". Pelo menos dez equipes de busca das Forças Armadas revistam o terreno.

Familiares e ativistas criticaram as operações militares para resgatar as jovens por sua lentidão e inoperância.

Do G1, em São Paulo