Conheça Katia Garcia, primeira mulher latino-americana a apitar um jogo de Copa do Mundo

Garcia chega à estreia como árbitra central depois de atuar como quarta árbitra em três partidas do torneio

Mexicana faz sua estreia como árbitra principal no mundial no confontro entre Tunísia e Holanda, em Kansas City (EUA), nesta quinta-feira (25)

Por Camila Bucoff, Marie Claire — São Paulo - 25/06/2026 

Conheça Kátia Garcia, primeira mulher latina a apitar um jogo de Copa do Mundo — Foto: Reprodução/Getty Images

A mexicana Katia Itzel Garcia, de 33 anos, será a árbitra central de Tunísia x Holanda nesta quinta-feira, 25 de junho, às 20h de Brasília, em Kansas City, pela última rodada do Grupo F da Copa do Mundo de 2026. A escala fará de Garcia a primeira árbitra latino-americana a comandar um jogo masculino de Mundial e a terceira mulher a exercer a função.

Antes dela, a francesa Stéphanie Frappart apitou Alemanha x Costa Rica, no Catar, em 2022, e a americana Tori Penso dirigiu República Tcheca x África do Sul nesta edição. 

Garcia chega à estreia como árbitra central depois de atuar como quarta árbitra em três partidas do torneio: Holanda x Japão, Inglaterra x Croácia e Estados Unidos x Austrália. Desta vez, ela terá a mexicana Sandra Ramírez como primeira árbitra assistente, o espanhol José Enrique Naranjo como segundo assistente e o paraguaio Juan Gabriel Benítez como quarto árbitro.

O confronto entre Tunísia e Holanda encerra a participação das duas seleções na fase de grupos. A Holanda lidera a chave com quatro pontos, mesma pontuação do Japão, enquanto a Suécia soma três. A Tunísia perdeu as duas primeiras partidas e já não tem chances de avançar, mas tenta se despedir do Mundial com um resultado positivo.

A rodada desta quinta-feira também terá Tori Penso em campo. A americana será a árbitra central de Equador x Alemanha, às 17h de Brasília, em East Rutherford, Nova Jersey.

Quem é Kátia Garcia? Conheça a primeira latina a apitar uma Copa do Mundo

Nascida na Cidade do México, Garcia começou no futebol como jogadora. Em entrevistas, ela afirmou que deixou os campos diante das limitações estruturais e da falta de apoio ao futebol feminino no México. A mudança de rota levou a árbitra à arbitragem amadora em 2015 e, no ano seguinte, ao futebol profissional.

Desde então, ela acumulou experiências em torneios nacionais e internacionais. Em 2022, a árbitra foi escolhida para apitar a final da Copa do Mundo Feminina Sub-17. Em 2024, recebeu o Prêmio Nacional do Esporte do México na categoria “Arbitragem” e também atuou nos Jogos Olímpicos de Paris - em torneios masculinos e femininos.

Em 2025, foi apontada como a sexta melhor árbitra do mundo pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS), ficando atrás da brasileira Edina Alves, que ocupou a quinta colocação, e ainda apitou a partida entre Curaçao e El Salvador pela Copa Ouro da CONCA-CAF, confederação que reúne países das Américas do Norte, Central e do Caribe.

Polêmicas e machismo na arbitragem

Apesar da trajetória de destaque, nos últimos anos Garcia enfrentou episódios negativos marcados por ataques relacionados à sua atuação na arbitragem.

Em abril de 2026, durante a partida entre Pumas e Mazatlán, pela Liga MX, Garcia expulsou o técnico Sergio Bueno após encerrar o primeiro tempo durante uma jogada ofensiva do Mazatlán. Ao deixar o campo, Bueno foi acusado de fazer comentários misóginos sobre a árbitra. A Federação Mexicana de Futebol o puniu com multa, suspensão de uma partida e medidas educativas sobre equidade de gênero.

Em outra partida da Liga MX, entre Chivas e Tijuana, Katia marcou inicialmente um pênalti para o Chivas, mas anulou a decisão após revisão do VAR. A mudança provocou protestos de jogadores e torcedores no Estádio Akron.

O episódio mais grave ocorreu em 2025, durante a Leagues Cup. Garcia recebeu ameaças e ofensas nas redes sociais após validar um gol do FC Cincinnati, contestado pelo Monterrey por uma possível posição de impedimento. A decisão revoltou os torcedores do Monterrey que foram derrotados por 3 a 2.

Depois da partida, a Federação Mexicana de Futebol informou que daria apoio jurídico à árbitra e acompanharia a denúncia apresentada às autoridades. A Fifa e a Concacaf também condenaram as ameaças recebidas por ela.

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