Ceará mostra poder de reação e empata com Botafogo, apesar de confusão da arbitragem
Ceará e Botafogo protagonizam partida movimentada no Rio de Janeiro
Botafogo e Ceará ficam no empate. Foto: Vítor Silva / Botafogo
Escrito por Alexandre Mota
Vovô tem dois pênaltis contra e expulsão de Luiz Otávio no fim, mas faz segundo tempo melhor tecnicamente e conta com brilho de Cléber e Leandro Carvalho para ficar no 2 a 2, ontem, no Engenhão, pela 19ª rodada
Um roteiro alvinegro de dois tempos no estádio Nilton Santos. Após início abaixo contra o Botafogo, o Ceará mostrou poder de reação e conseguiu empate de 2 a 2, ontem, até com chances de vencer - alcançando o 5º jogo de invencibilidade na Série A do Brasileiro. É fato: o Vovô tinha plantel melhor, mas esbarrou nas próprias falhas e na arbitragem confusa de Diego Pombo Lopez (BA) em confronto válido pela 19ª rodada.
A dicotomia existe e deve ser analisada dos 90 minutos para trás. Isso pois o primeiro tempo merece ser esquecido, salvo pelo golaço de Cléber, importante para a confiança do atacante de 1,93m. Quase nada funcionou na estratégia: houve dificuldade na transição, meio-campo pouco povoado, liberdade para o adversário e excesso de brechas entre Luiz Otávio e Tiago Pagnussat.
O cenário de colapso esteve latente no 2 a 1, que poderia ser três, caso Victor Luís não desperdiçasse penalidade - convertida anteriormente por Honda, além do gol de Matheus Babi. O time de Guto Ferreira conseguiu um único chute no gol e trocou 182 passes, se defendendo sem contra-atacar.
A convicção com que o juiz analisou os lances no VAR e marcou os pênaltis também chamou atenção. O mesmo não existiu para o Alvinegro de Porangabuçu, que teve lance suspeito com Leandro Carvalho na etapa final. A expulsão de Luiz Otávio, ao proteger a bola da marcação, pareceu rigorosa, apesar da oportunidade cedida pelo defensor ao acertar o rosto de Caio Alexandre.
As lições do 2º tempo
Em tese, a partida do Ceará começa no segundo tempo. A diferença de atuação é tamanha que, por vezes, o time parece diferente. Muito pela consistência coletiva encontrada: na etapa inicial, a postura adotada foi completamente individual, principalmente com Léo Chú, substituído por Carvalho.
De uma trama com qualidade, Vina serviu o atacante recém-entrado para decretar a igualdade em grande lance, aos cinco. E o Ceará brigou pelo triunfo, não há como tratar de omissão: foram sete chutes em movimentação mais acelerada, melhor recomposição e perigo na bola aérea.
O peso do despertar tardio é que deve ser rememorado. A imposição era evidente, apesar do desgaste físico maior para manter as linhas altas e pressionar a saída de bola carioca. A transição rápida, arma mais letal de Guto, não funcionou do melhor modo e os passes errados surtiram impacto na armação: Pacheco (66%), Eduardo (70%) e Pagnussat (77%) entre os menos efetivos.
As circunstâncias atrapalharam o todo, é verdade, no entanto há de se ressaltar os lances dos gols. Cléber teve poucas chances, ficou muito isolado e mesmo assim encontrou um golaço. O passe veio de Léo Chú, titular por mérito, e a jogada é prova da ousadia que falta ao plantel principal.
O centroavante acreditou na jogada, avançou sem posição de impedimento, cortou para o meio e bateu sem oportunidade alguma de defesa de Cavalieri. O mesmo lampejo que esteve presente em Leandro Carvalho, quando disputou bola com dois marcadores, achou passe em Vina e disparou para receber e bater na saída do arqueiro.
Os momentos devem ser mais trabalhados e mostram qualidades no último terço do campo. O Ceará está, sim, invicto há cinco partidas e conseguiu o feito graças ao potencial coletivo, o não desistir, a resiliência ou mesmo força para sentir menos o golpe adversário e sair em busca do resultado.
Carece então de equilíbrio. A fase defensiva é ruim, a oscilação de nomes como Luiz Otávio e Fernando Prass traz insegurança em momentos chaves - com excesso de lances individuais entregues aos rivais, afetando uma possível colocação mais acima na tabela do Brasileirão. Os ajustes devem vir de Guto Ferreira, que tem pela frente as oitavas da Copa do Brasil e uma chance de classificação contra o Santos.
Ficha técnica
Série A do Brasileiro - 19ª rodada
Engenhão, no Rio de Janeiro
31 de outubro
Botafogo 2x2 Ceará
Cartões amarelo: Luiz Otávio (C), Pagnussat (C), Fabinho (C), Guto Ferreira (C), Leandro Carvalho (C), Wescley (C), Honda (B), Benevenuto (B), Angulo (B) e Bruno Nazário (B).
Cartão vermelho: Luiz Otávio (C) e Angulo (B)
Gols: Honda, aos 15, e Matheus Babi, aos 27 do primeiro tempo. Cléber, aos 22, da etapa inicial. Leandro Carvalho, aos 5 do segundo tempo.
Botafogo: Diego Cavalieri; Kevin, Kanu, Marcelo Benevenuto e Victor Luís; Caio Alexandre (Pedro Raúl), Honda (Zé Welison) e Bruno Nazário; Matheus Babi (Angulo), Lecaros (Kelvin) e Warley. Técnico: Flávio Tenius.
Ceará: Prass; Eduardo, Luiz Otávio, Tiago Pagnussat e Bruno Pacheco; Fabinho (Sobral) e Charles; Vina (Wescley), Lima (Rick) e Léo Chú (Leandro Carvalho | Brock); Cléber. Técnico: Guto Ferreira.




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