Isolado, Assumpção pode sofrer intervenção do Conselho Deliberativo
O Conselho Delibertaivo do Botafogo se reuniu na noite de quinta-feira, na sede de General Severiano. O encontro não contou com a presença do presidente Maurício Assumpção, que alegou compromissos profissionais para não aparecer, ferindo assim o estatuto do clube. A ausência do mandatário foi vista pelos integrantes como um ato de covardia. Hoje o clube tem uma das maiores dívidas do país, 100% de suas receitas estão bloqueadas e jogadores e funcionários estão há mais de três meses sem receber salários. No caso dos atletas, o atraso envolve ainda seis meses de direitos de imagem.
Diante da ausência de Maurício Assumpção, o clima esquentou e o encontro, que se encerrou apenas na madrugada desta sexta-feira, aprovou a criação de um gabinete de crise. A ideia é fazer intervenção na presidência. Isolado politicamente, o atual presidente não deverá tomar nenhuma medida, embora venha deixando claro que não renuncia.
Alguns membros chegaram a pedir o processo de impeachment de Assumpção, porém a ideia não foi para frente porque em novas eleições já estão marcadas para novembro. No próximo dia 19 acontecerá uma nova reunião, dessa vez para decidir se o gabinete de crise será de intervenção, com poderes para impor medidas ao presidente, ou apenas de fiscalização.
Para que o primeiro aconteça são necessários mais de dois terços das assinaturas, o que é difícil, mas possível. Uma das figuras mais influentes do Glorioso, o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro não fala em intervenção, mas lamenta as decisões recentes do atual presidente.
"O Maurício teve cinco anos de mandato bons, mas se perdeu muito na reta final e vai acabar deixando o clube humilhado. Foram sete meses desastrosos até aqui em dois mil e catorze. A ausência dele na reunião, inclusive, me causou espanto. Pelo menos coragem ele vinha demonstrando. Não podemos confirmar uma intervenção, mas teremos pessoas acompanhando de perto o que está sendo feito por essa diretoria", explica Montenegro.
O gabinete de crise será composto por presidenciáveis. Até o momento confirmaram presença na eleição de novembro Antonio Carlos Mantuano - uma espécie de eterno candidato -; Carlos Eduardo, do Movimento Mais Botafogo; Vinicius Assumpção, do Movimento Carlito Rocha; e Marcelo Guimarães, do Grande Salto.
Eles estarão na comissão, assim como Durcésio Mello, que não oficializou a sua candidatura, mas é o nome que conta com o apoio de Montenegro. Uma chapa liderada pelo economista escocês Cláudio Good ou pelo empresário Manoel Renha também pode aparecer. Ambos integraram a gestão de Bebeto de Freitas e articulam uma aliança. Maurício Assumpção, que não pode concorrer, não anunciou se vai lançar um candidato.
Gazeta PressRio de Janeiro (RJ)




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