Dólar sobe para R$ 5,23 com tensão política
Ministro Guedes afirmou que o dólar poderia estar mais baixo se o cenário político no Brasil fosse diferente, e "se não tivesse essa guerra nossa".
Moeda norte-americana avança e supera marca do dia anterior Foto: Pexels
Com tensão política, dólar sobe para R$ 5,23 mesmo com notícias favoráveis à economia
Guedes diz que câmbio poderia estar mais baixo 'se não tivesse essa guerra nossa', mas que cenário é bom para o turismo interno
Stephanie Tondo com agências internacionais
RIO — Após atingir a máxima de R$ 5,28 nesta quarta-feira, o dólar comercial recuou com a divulgação da ata do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) e encerrou o dia cotado a R$ 5,23, em uma alta de 0,59%.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de São Paulo, a B3, por outro lado, intensificou o ritmo de alta após a divulgação da ata do Fed, banco central dos EUA, e encerrou o dia com valorização de 1,54%, a 127.018 pontos.
Para Rachel de Sá, chefe de Economia da Rico, faz sentido em dizer que o real poderia estar mais valorizado, considerando que os fatores estruturais econômicos do país apontam para isso. No entanto, as incertezas no campo político têm aumentado a percepção de risco para os investidores, observa a analista.
Segundo a economista, o dólar já acumula valorização de 3,7% na semana, e de 5,37% em julho, depois de ter recuado 4,82% no mês passado.
— A gente havia tido uma redução do risco fiscal agudo, o que continua. A nossa dívida deve cair este ano, por mais que ainda seja pesada para um emergente. Mas nas últimas semanas tivemos a entrega da reforma tributária, que surpreendeu muita gente, com alterações no Imposto de Renda para pessoa física. Em cima disso temos a CPI da Covid se aproximando do Planalto, apesar de não haver indícios fortes de uma possibilidade de impeachment — explica Rachel.
Para ela, a conjuntura econômica favorável "não significa muita coisa" enquanto houver uma percepção de risco elevada.
— Isso envolve a parte política como um todo, inclusive os ruídos entre o Planalto e o Congresso.
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Guedes: dólar alto favorece trocar Disneylância por turismo no Brasil
Durante audiência na Câmara dos Deputados, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o patamar atual do câmbio favorece o turismo brasileiro.
— Hoje, com o dólar a R$ 5, o que está acontecendo? Famílias humildes do Brasil inteiro estão se beneficiando porque essa família rica, entre aspas, em vez de estar indo para a Disneylândia levando funcionários e uma porção de gente, está viajando pelo Brasil — disse.
Ao mesmo tempo, Guedes afirmou que o dólar poderia estar mais baixo se o cenário político no Brasil fosse diferente, e "se não tivesse essa guerra nossa".
Juros baixos nos EUA ajudam bolsas emergentes
Nos EUA, as autoridades do Federal Reserve que se reuniram em junho avaliaram, segundo o documento divulgado nesta tarde, que o objetivo de mais progresso substancial da recuperação dos Estados Unidos ainda não foi atingido de forma geral, embora esperem que os avanços continuem.
Para o mercado, essa é uma sinalização de que, pelo menos por enquanto, haverá uma continuidade da política monetária de juros zerados nos EUA
Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos, afirma que a leitura do mercado de ações no Brasil imediatamente após a reunião foi de que o tom de espera paciente por novos dados está mantido, uma postura positiva para tomadores de risco na Bolsa.




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