Mercado baixa para 1,48% a previsão de alta do PIB em 2020

Na semana passada, o próprio governo já admitiu que a economia deverá ter crescimento zero no ano. Mercado financeiro também reduziu estimativa de inflação.

Projeção do governo para o PIB em 2020 cai para 0% por causa do coronavírus

Por Alexandro Martello, G1 — Brasília

Os economistas do mercado financeiro reduziram de novo a estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano, que passou de 1,68% para 1,48% de alta. Essa foi a sexta queda consecutiva no indicador.

A projeção faz parte do boletim de mercado, conhecido como relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central (BC). O dado foi levantado na semana passada em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

As reduções da expectativa para o nível de atividade acontecem em meio à pandemia do coronavírus, que tem derrubado a economia mundial e colocado o mundo na beira de uma recessão.

Na semana passada, o governo federal também revisou sua estimativa para o PIB e passou a prever uma expansão de apenas 0,02% para este ano, ou seja, uma estabilidade.

No mercado financeiro, já há instituições financeiras estimando uma contração do PIB em 2020. Isso quer dizer que haverá nova desaceleração da economia.

Em 2019, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB cresceu 1,1%. Foi o desempenho mais fraco em três anos.

Entenda os impactos do avanço do coronavírus nas economias global e brasileira

Para o próximo ano, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 2,50%.

Projeção do governo para o PIB em 2020 cai para 0% por causa do coronavírus

Inflação

Segundo o relatório divulgado pelo BC, os analistas do mercado financeiro reduziram a estimativa de inflação para 2020 de 3,10% para 3,04%.

A expectativa de inflação do mercado para este ano segue abaixo da meta central, de 4%. O intervalo de tolerância do sistema de metas varia de 2,5% a 5,5%.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Para 2021, o mercado financeiro baixou a estimativa de inflação de 3,65% para 3,60%. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Outras estimativas

Taxa de juros: o mercado manteve a previsão para a taxa Selic no fim de 2020 em 3,75% ao ano. Atualmente, a taxa de juros já está neste patamar. Para o fechamento de 2021, a expectativa do mercado para a taxa Selic continuou em 5,25% ao ano, o que pressupõe alta do juro no ano que vem.

Dólar: a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2020 subiu de R$ 4,25 para R$ 4,50 por dólar. Para o fechamento de 2021, subiu de R$ 4,20 por dólar para R$ 4,29 por dólar.

Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2020 recuou de US$ 36,10 bilhões para US$ 35,25 bilhões de resultado positivo. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado subiu de US$ 34 bilhões para US$ 34,90 bilhões.

Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, em 2020, permaneceu em cerca de US$ 80 bilhões. Para 2021, a estimativa dos analistas recuou de US$ 83,75 bilhões para US$ 80 bilhões.

https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/03/23/mercado-baixa-para-148percent-previsao-de-alta-do-pib-em-2020.ghtml