Áreas da Capital despontam com suas vocações

COMÉRCIO QUE GERA RENDA

A transformação de avenidas largas, povoadas basicamente por residências, em corredores comerciais de lojas imponentes e que contemplam diversos segmentos é um processo cada vez mais comum nos bairros da Capital. Essa disseminação das atividades econômicas pelas regiões de Fortaleza, além de representar o crescimento experimentado pela cidade, dá continuidade ao processo de descentralização iniciado ainda na década de 1970, quando a movimentação econômica começou a migrar para a zona leste da Capital. "Até os anos 30, Fortaleza concentrava suas atividades econômicas na região oeste, onde tinha o bairro industrial, Jacarecanga. Em 1974, a construção do Shopping Center Um foi um ícone que marcou a proliferação das centralidades", explica o assessor de Desenvolvimento Econômico, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SDE), Eduardo Fontenele.

As centralidades, segundo o assessor, são equipamentos que atraem fluxo de pessoas para determinadas regiões, como o Fórum Clóvis Beviláqua, a Universidade de Fortaleza (Unifor) e o Centro de Convenções, por exemplo, responsáveis por dinamizar os bairros Água Fria e Edson Queiroz. "Agora, acredito que a Parangaba esteja se reativando com a chegada dos shoppings, e o Papicu, que é um bairro predominantemente residencial, mas com o RioMar, poderá ter uma atividade mais intensa em termos de comércio", projeta o assessor.

Formação de núcleos

O passo seguinte dessa constante migração econômica vem se desenhando nos últimos anos, com a formação de núcleos comerciais nos bairros mais afastados do centro da Capital, como a Messejana e o Vila Velha, na grande Barra do Ceará, por exemplo. "Essa descentralização é um processo natural do desenvolvimento da cidade, e a tendência é que os bairros sejam cada vez mais independentes. O ideal, do ponto de vista urbanístico, é as pessoas trabalhem, se divirtam e resolvam suas coisas o mais próximo possível de casa", afirma Fontenele.

Fatores que influenciam esse processo são a construção de muitos condomínios nessas regiões mais afastadas e o fato de boa parte delas estarem situadas próximas de municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), além do aumento do poder de compra da população, explica o assessor. "Essa expansão se dá também nos serviços, como educação superior e o trabalho de profissionais liberais, que buscam esse público que antes não tinha acesso a essa atividades", diz o assessor.

Mapeamento

O novo perfil desse bairros é o foco de um mapeamento que a SDE está realizando em Fortaleza, por meio de georreferenciamento, com o objetivo de identificar as principais demandas econômicas de cada região. "A ideia é que esse mapeamento permita uma visualização histórica sobre essas atividades de comércio. É um estudo que trata da concentração das atividades econômicas, com o índice de empresas por bairro", detalha Fontenele. O levantamento, que deve ser concluído até o fim deste ano, também vai disponibilizar indicadores sociais e de infraestrutura dos bairros.

Com o surgimento de novos polos comerciais, a necessidade de se modernizar e buscar o diferencial figura na lista de prioridades de quem conduz um negócio nessa regiões. "A concorrência vai exigir que os serviços se especializem, e o público, por ter mais acesso à educação, também fica mais exigente", avalia Fontenele.

A descentralização impacta, ainda, explica, nos corredores tradicionais do comércio da cidade, que se valem da criatividade e da promessa de qualidade dos serviços para manter o público fidelizado.

"Acho que a própria Aldeota e o Meireles estão um pouco esgotados nas possibilidades de expansão devido à oferta existente, com muitos shoppings e lojas", avalia Fontenele, citando que as regiões da zona leste, com maior oferta de espaço e uma nova dinâmica habitacional, tem grandes oportunidades de crescimento.

Seja em quiosques informais ao longo de calçadas ou dentro de grandes lojas, o comércio cada vez mais se difunde, e, tentando adaptar-se às novas configurações urbanas, vai dando características peculiares aos bairros da cidade.

Avaliação

“Essa descentralização é um processo natural do desenvolvimento da cidade. Os bairros serão mais independentes” 

EDUARDO FONTENELE
Assessor da SDE Municipal
Jéssica Colaço
Repórter