Dólar fecha quase estável, se mantendo perto de R$ 2,20

Nível de R$ 2,20 é visto como adequado pelo BC para inflação e exportação.

O dólar fechou perto da estabilidade ante o real nesta sexta-feira (9), depois de se desvalorizar nas três últimas sessões e ficar próximo do piso informal de R$ 2,20. A negociação foi influenciada pelas preocupações com as turbulências políticas em torno da Ucrânia.

A moeda norte-americana subiu 0,05%, para R$ 2,2154. 

Na semana, a moeda tem desvalorização de 0,18% e no mês, de 0,65%. No ano, a queda acumulada é de 6,03%.

"O dólar caiu muito nos últimos três dias. Ontem (quinta) bateu em R$ 2,20, atraiu compradores e voltou (a cair). Além disso, a situação na Ucrânia continua gerando cautela", afirmou à Reuters o superintendente de câmbio da corretora Advanced, Reginaldo Siaca.

É consenso no mercado que o nível de R$ 2,20 tornou-se um piso informal para a divisa norte-americana. A interpretação é que o patamar agrada o Banco Central pois não é inflacionário e, ao mesmo tempo, não prejudica as exportações.

A tese ganhou força principalmente após o BC deixar vencer alguns swaps cambiais nos últimos dois meses, pouco após a moeda norte-americana ter ido abaixo dos R$ 2,20. Na sequência, o banco cortou pela metade a oferta de contratos na rolagem em curso. Os swaps cambiais são contratos para conter a alta do dólar e equivalem à venda futura da moeda.

Intervenção do BC
No fim da manhã, o BC vendeu a oferta total de até 5 mil swaps na rolagem. No total, a autoridade monetária já rolou cerca de 13% do lote total que vence em 2 de junho, equivalente a US$ 9,653 bilhões.

Nas atuações diárias, o BC continuou vendendo a oferta total de até 4 mil contratos. Foram 1,2 mil contratos para 1º de dezembro deste ano e 2,8 mil contratos para 2 de março de 2015, com volume equivalente a US$ 198,5 milhões.

Também influenciaram novos desdobramentos da crise na Ucrânia. Separatistas pró-Moscou no leste da Ucrânia ignoraram o apelo público do presidente russo Vladimir Putin para adiar um referendo, afirmando que prosseguirão com a votação no domingo. "O imbróglio na Ucrânia continua deixando os mercados mais cautelosos", afirmou o operador de uma corretora internacional.

Do G1, em São Paulo