Amor pela dança passa de mãe à filha, princesa de quadrilha aos 9 anos

Menina Brena Régia dança em uma quadrilha só de crianças.

Quadrilha infantil Flor da Garotada, em apresentação no São João de Maracanaú, em 2014. (Foto: União Junina do Ceará/Divulgação) Flor da Garotada é um dos mais de 50 grupos infantis do Ceará. Marina HolandaDo G1 CE A preparação das quadrilhas para o São João, no Ceará, exige muita dedicação meses antes decomeçar junho, tradicional período de apresentação. E com as quadrilhas infantis não é diferente. Brena Régia, de nove anos, dança quadrilha desde os seis, e será princesa pela primeira vez, neste ano na quadrilha Flor da Garotada. "Tô muito muito ansiosa!", diz a menina. Brena estuda à tarde e participa dos ensaios à noite. A mãe de Brena, Nátila Rose, 33 anos, a acompanha nos ensaios, nos detalhes do figurino e revela que a tradição junina foi passada de mãe para os filhos. "Já dancei muito em quadrilha. Tenho um rapaz de 12 anos que também dança e faz parte do casamento", conta. A preparação para a estreia se intensificou e, segundo Nátila, Brena não reclama da rotina dos ensaios. Ela percebe, também, as melhorias que a dança traz para a menina. "Ela vai ensaiar com gosto. Tá se acostumando... A dança melhorou muito a postura dela. Se Deus quiser, ela vai fazer uma boa apresentação", disse. Segundo Valdenir Barbosa, presidente do grupo Flor da Garotada, a meninada começa a trabalhar a coordenação motora nos três primeiros meses de ensaio. "Quando chega mais perto do São João, começa a ficar mais puxado, com coreografia mais elaborada. Hoje em dia, as quadrilhas infantis estão niveladas com as quadrilhas de adulto. A única diferença é a idade", afirma. O Ceará possui festivais de quadrilha com categoria infantil, como o da cidade de Maracanaú, com cerca de 30 grupos que competem entre si. Barbosa estima cerca de 50 quadrilhas infantis em todo o Ceará, entre as 600 do estado. Flor da Garotada Com o tema "Pontos e repontos do São João: a Flor da Garotada revive a tradição", o grupo infantil pretende levar, neste ano, uma mistura do antigo com o novo, em seus figurinos e adereços. "A cada ano trazemos algo referente ao brilho. Esse ano, a gente quis quebrar tabus, resgatando a história da chita, das quermeces, sem perder aquele glamour das quadrilhas de hoje".

Barbara Rodrigues, um dos destaques do ano passado, na Flor da Garotada (Foto: União Junina do Ceará/Divulgação)
Barbara Rodrigues, um dos destaques do ano passado, na Flor da Garotada (Foto: União Junina do Ceará/Divulgação)
A Quadrilha Flor da Garotada compete em festivais em Fortaleza, região metropolitana e em cidades do interior, e possui cinco títulos, sendo quatro conquistados consecutivamente, em festivais do Ceará. O idealizador e organizador conta que durante esses 14 anos, muitas quadrilhas infantis não conseguiram permanecer ativas. "Teve muitas parceiras nossas que não vingaram. Neste ano ganhamos o título da 'resistência junina infantil', porque muitas pararam e a gente continuou" relata Barbosa.
Vitória Lima (princesa), Linda Karen e Samuel (noivos), Brena Régia (princesinha) são os destaques de 2015, na Flor da Garotada (Foto: Valdenir Barbosa/Acervo Pessoal)
Vitória Lima (princesa), Linda Karen e Samuel (noivos), Brena Régia (princesinha) são os destaques de 2015, na Flor da Garotada. (Foto: Arquivo Pessoal)
Na preparação, Barbosa conta que o ensaio é o mesmo para as crianças de diferentes idades. "É uma coreografia só para todos. Tem que ter mais atenção com os menores. Barbosa explica que após as inscrições dos interessados em dançar, eles ''passam os três primeiros meses focados na parte de coordenação, até pegar mais pesado, mais próximo das apresentações". Barbosa explica que quadrilhas infantis exigem das crianças dedicação ''de adulto''. "Hoje em dia, as quadrilhas infantis estão niveladas com as quadrilhas de adulto. A única diferença é a idade. O trabalho é muito puxado, os movimentos são os mesmos, o mesmo sincronismo. Rotina de ensaios As crianças e adolescentes da Flor da Garotada ensaiam duas vezes por semana e também aos fins de semana em período mais próximo do São João. Para Valdenir, a dança é também uma forma de não deixar as crianças ociosas, na rua. "Nossa intenção não é tirar ninguém da escola. A maioria são crianças carentes. Arranjamos um jeito de tirar elas da rua e mantê-las no grupo".