Produção industrial amarga retração de 2,9% em 2014
Além do setor de produtos têxteis, o recuo na indústria cearense no ano passado também deveu-se em grande parte ao segmento de couro
ANO DIFÍCIL Influenciada sobretudo pelo resultado negativo dos setores de produtos têxteis (-25,8%) e de de couro, artigos para viagem e calçados (-3,3%), a produção da industrial cearense amargou queda acumulada de 2,9% em 2014, resultado próximo da média nacional (-3,2%) e abaixo da média do Nordeste (-0,2%). Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entretanto, no comparativo entre os meses de novembro e dezembro do ano passado, o Ceará teve avanço na produção da indústria (1,7%), obtendo o segundo melhor indicador dentre os 15 locais pesquisados pelo IBGE. O Estado ficou atrás apenas do Amazonas, que registrou avanço de 3,2% no período. A Bahia teve a maior baixa entre os dois meses (-7,9%), seguida pelos estados de Santa Catarina (-5,9%) Pernambuco (-4,1%). Para o economista do Instituto de Desenvolvimento Industrial da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Indi/Fiec) Guilherme Muchale, "isso é sinal de que a indústria cearense começa a apontar para buscar uma retomada". De acordo com Guilherme Muchale, os principais desafios a serem superados para que o setor retome o crescimento estão relacionados à alta carga tributária, à infraestrutura deficiente e a melhorias na capacitação dos trabalhadores. "Nós precisamos de uma mão de obra mais criativa, com maiores níveis educacionais. São três pontos que precisam entrar na agenda (do poder público). Eles vão fortalecer a competitividade indústria e fazer com que ela ganhe mais mercados e promova setores que exijam mais desenvolvimento tecnológico", defende o economista. Setores com queda Oito dos onze segmentos industriais pesquisados no Ceará tiveram queda de produção acumulada no ano passado, com destaque para o setor de produtos têxteis, que teve retração de 25,8%. O economista Guilherme Muchale defende que a baixa se explica pela forte concorrência da indústria com a produção de tecidos do Centro-Sul, que tem matéria-prima (algodão) e incentivos fiscais favoráveis em comparação ao Ceará. A atividade também enfrenta forte competição com a fabricação de produtos importados, sobretudo de itens asiáticos, "que não tem tanta carga tributaria como o Brasil e possui aspectos trabalhistas que não são tão burocráticos", defende. Acrescenta-se a isso as crescentes elevações no valor da energia elétrica, que vem encarecendo a produção. Couro, viagem e calçados Além do setor de produtos têxteis, que teve menor fabricação de fios de algodão retorcidos, tecidos de algodão tintos ou estampados (exceto combinados) e roupas de cama, o recuo na indústria cearense em 2014 também deveu-se em grande parte ao segmento de couro, artigos para viagem e calçados. A atividade aprestou retração de 3,3%, devida, principalmente, à menor produção de calçados de couro e plástico de uso feminino.




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