CE Sem depender de chuva, setor pesqueiro fatura R$ 1,2 bi
A Crusoe Foods, fábrica de pescados em conserva, deverá passar a produzir 15 milhões de enlatados por mês
PRODUÇÃO EM VÁRIOS SEGMENTOS No ano passado, o segmento movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão no Ceará, segundo o Sindicato das Indústrias de Frio e Pesca. Somente a produção de 1.600 toneladas de lagosta girou aproximadamente de R$ 180 milhões Com a previsão de mais um ano de estiagem, o setor pesqueiro cearense pretende ampliar sua participação na economia a partir da abertura de novos mercados e atividades. Por não depender diretamente da chuva, ao contrário do que ocorre com a agricultura, empresários sugerem alternativas para que a pesca seja uma atividade fortalecida no setor primário. No ano passado, o segmento movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão no Ceará, segundo o Sindicato das Indústrias de Frio e Pesca (Sindifrio). A produção de 1.600 toneladas de lagosta movimentou cerca de R$ 180 milhões. Dentre os peixes, a tilápia teve destaque com 30 mil toneladas, atingindo um faturamento de R$150 milhões. Camarão Os demais peixes somaram R$ 360 milhões e a produção de camarão faturou R$ 540 milhões. A produção e a comercialização de atuns e sardinhas deverá crescer em 2015. A expectativa é que a Crusoe Foods, fábrica de pescados em conserva instalada em São Gonçalo do Amarante em 2014, passe de três toneladas processadas diariamente para 40 toneladas por dia, quanto atingir plena atividade. A unidade fabricará cerca de 15 milhões de enlatados mensalmente. Detentor do título de maior exportador de lagosta e maior produtor de camarão em cativeiro do País, o Ceará é beneficiado pela localização privilegiada em relação ao mercado europeu e norte-americano e pela presença de 11 estabelecimentos com Serviço de Inspeção Federal (SIF) no Estado, as instalações responsáveis por fazer o processamento e industrialização da matéria-prima. De acordo com o empresário Oziná Costa, diversificar as atividades é o caminho para a geração de empregos. "No litoral cearense pode ser desenvolvida a criação de várias espécies de peixes, como garoupas, robalos, sirigados, camurupins e tantos outros com alto valor comercial, tanto no mercado interno quanto externo. É um mercado que não depende de pluviometria regular", afirma. Para aproveitar melhor esse potencial, o Sindifrio tem defendido junto ao governo estadual a implementação de ações para fortalecer o setor. Uma das propostas pretende incentivar a modernização da frota pesqueira e a maior oferta de peixes a preços acessíveis. As desembocaduras de rios perenes também podem ser aproveitadas para a produção de diversas espécies de peixes passíveis de criação em água salobra. Outra iniciativa defendida pelo sindicato é a criação de tilápias em tanques escavados com água salobra, inclusive no Semiárido. Segundo Max Mapurunga, diretor do Sindifrio e conselheiro do Conselho Nacional de Aquicultura e Pesca (Conape), órgão vinculado ao Ministério da Pesca (MPA) que regula as políticas do setor, o crescimento do mercado mundial favorece o Ceará. Alimentos saudáveis "Hoje a população tem aumentado a busca por alimentos saudáveis e de baixo custo. O Estado tem condições naturais favoráveis e uma boa estrutura instalada. Já temos condição de processar o dobro da produção atual, o que beneficia não só o setor pesqueiro, mas toda uma cadeia, que vai do pescador ao fabricante das embalagens", destaca Mapurunga. Uma vantagem apontada é a baixa necessidade de investimento por parte do governo. "Precisamos basicamente de uma boa gestão do poder público para ajudar no fomento e articulação. A maior parte dos investimentos é realizada pelo setor privado", acrescenta.




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