Crescem casos de conjuntivite no CE

INFLAMAÇÃO

Olhos vermelhos e lacrimejantes, pálpebras inchadas, coceira, sensação de areia ou de ciscos. Os sintomas podem ser distintos em cada caso, mas, em geral, são estas as manifestações em pacientes que estão com conjuntivite. A inflamação da membrana transparente que reveste a parte da frente do globo ocular e o interior das pálpebras é uma doença sazonal. No atual período, considerado de estiagem, a previsão é de aumento dos casos no Ceará.

Neste ano, o Hospital de Olhos Leiria de Andrade atendeu pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em média, mil casos por mês, de acordo com o presidente da Sociedade Cearense de Oftalmologia (SCO), Nilton Andrade Junior, que explica que a conjuntivite pode ser de vários tipos - alérgica, química, viral ou bacteriana - porém, os casos mais recorrentes e considerados infecciosos são os relacionados a vírus e bactérias.

Nos dois primeiros casos, a reação alérgica pode ser a poluentes ou substâncias irritantes, como fumaça, cloro de piscinas, produtos de limpeza, dentre outros. Já nas situações causadas por vírus e bactérias, a doença pode ser transmitida. Conforme o oftalmologista, a conjuntivite viral é geralmente mais transmissível e menos agressiva. Já a bacteriana é mais intensa, mas tem menor potencial de transmissão.

De acordo com ele, "a doença está muito relacionada às vias aéreas, portanto, o período de maior incidência coincide com épocas de maior casos de gripes". Embora possa ocorrer em qualquer período do ano, em geral, o surtos de conjuntivite são registrados na estação de chuvas - no Ceará durante a quadra chuvosa em março, abril e maio - e também em épocas muito secas, como o atual momento.

A inflamação pode afetar um ou os dois olhos e, segundo Nilton Andrade, a maioria dos surtos dura entre cinco e sete dias, sendo o período de maior risco de transmissão os quatro primeiros dias. Para que a irritação seja diagnosticada, a orientação é que o paciente procure um oftalmologista, que deve realizar exames clínicos para detectar a doença.

Nilton Andrade explica, também, que o tratamento varia conforme cada quadro, mas, em muitos casos, o procedimento a ser realizado é apenas o uso de compressas geladas e lubrificante ocular, prescrito pelo oftalmologista. Algumas situação carecem também do uso de antibiótico ou corticoides.

Ele ressalta, ainda, que algumas doenças sistêmicas estão ligadas a conjuntivite e em alguns casos extremos a inflamação pode se infiltrar na córnea e diminuir a visão do paciente. O oftalmologista acrescenta que, embora a pessoa tenha sido medicada para curar a inflamação, ela pode ter conjuntivite outras vezes na vida.

Prevenção

Para prevenir a conjuntivite, o médico orienta as pessoas a evitarem aglomerações, que as mãos sejam lavadas com frequência e que os pacientes evitem coçar o olhos e tocar objetos que serão usados por outras pessoas. Em situação de ocorrência da doença, é aconselhável também que as fronhas dos travesseiros do paciente sejam trocadas diariamente, enquanto perdurar a crise.

Na rede municipal de saúde de Fortaleza não há uma unidade de atendimento específico para casos de conjuntivite. Em se tratando de suspeita da inflamação, segundo informou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), pacientes podem procurar qualquer um dos postos de saúde da Capital para receberem orientações.

Thatiany Nascimento
Repórter