Preço em 18 setores cai com menor demanda

NA REGIÃO METROPOLITANA

Regulados pelo ritmo do mercado, os chamados produtos livres - aqueles que não sofrem controle direto do governo - comercializados na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) registraram queda de 0,68% em julho liderados pelos artigos de vestuário (-1,34%) e de móveis e decoração (-1,31%), segundo informações trabalhadas pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC). A retração nos preços motivada pela mais que conhecida lei da oferta e da procura, no entanto, segue movimento contrário ao da inflação, o que deve sinalizar menos pressão sobre a política de juros brasileira no futuro.

"O que está acontecendo, como teve a queda de demanda, é que o preço destes produtos livres estão caindo. Isso já era um fato esperado pelo mercado e sinaliza que nos próximos meses não vai haver uma pressão tão forte da inflação como aconteceu no fim do ano passado e no começo deste", explica Alex Araújo, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE).

Selic estável

Na análise dele, por ser algo que vinha sendo previstos pelo mercado, "não se espera uma política de aumento da taxa de juros até o fim deste ano, mantendo a média de 11% atuais". O economista, no entanto, também reconhece e alerta para os efeitos colaterais da baixa de preços nos produtos livres, a qual foi motivada pela falta de confiança do consumidor no período analisado pela pesquisa, e que gera redução do faturamento dos comerciantes.

O que ficou mais barato

Conforme detalha a pesquisa do IPDC divulgada ontem à tarde, a pouca demanda fez com que os itens de 18 setores apresentassem retração nos preços em julho último na RMF.

Além de vestuário (-1,34%) e móveis e decoração (-1,31%), também foram destaque na investigação quando o assunto é queda: produtos alimentícios (-1,22%), produtos farmacêuticos (-0,82%), eletrodomésticos (-,22%), e livros (-0,17%).

Subiram

Em movimento contrário estiveram artigos: de higiene pessoal (0,89%), material de construção (0,57%), setor automotivo (0,51%) e artigos de limpeza (0,36%).

Ano acumula alta

O movimento torna-se cada vez menor quando o tempo analisado aumenta. Na investigação da RMF para último trimestre, os setores onde os preços apresentam queda cai para apenas três: produtos alimentícios (-0,33%), móveis e decoração (-0,45%) e vestuário (-0,87%).

Já quando a comparação é feita entre os primeiros sete meses de 2014 contra o mesmo período do ano passado, é mostrado uma alta nos preços de 4,36% para os produtos livres na RMF. Entre os setores, o único em queda é o de vestuário (-2,56%) - todos os demais apresentam alta. A média para todos eles, no entanto, é menor que a do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que encerrou o mesmo período com alta de 6,39%, como atesta a pesquisa do IPDC divulgada na tarde de ontem.

Armando de Oliveira Lima
Repórter