CE Exportação de calçados do Estado pode cair 20% neste ano
NESTE ANO
Segundo a Abicalçados, a balança comercial favorável ao Brasil cria dificuldades para a economia argentina, fazendo com que ela bloqueie as importações
Não é de hoje que o setor calçadista do Brasil vem amargando uma redução das atividades comerciais com a Argentina. Há cerca de um ano, o segmento sofre com o bloqueio às exportações brasileiras. O problema persiste e influencia diretamente no resultado das exportações, que devem ser 50% menores em 2014 frente a 2013. No Ceará, que no primeiro semestre deste ano teve a Argentina como o segundo maior mercado consumidor de pares de calçados, a retração pode chegar a 20%, pois o setor já registrou queda de 10% de janeiro a junho.
A previsão é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias (Abicalçados), Heitor Klein. A atual crise no país vizinho, destaca Klein, deixa a situação ainda mais difícil.
Na opinião do líder classista, para resolver esse entrave, os governos argentino e brasileiro deveriam construir um mecanismo de comércio entre os dois países, tanto no âmbito do Mercado Comum do Sul (Mercosul) quanto em caráter bilateral.
Linha de financiamento
A criação de uma linha de financiamento para importações e exportações, por exemplo, afirma o executivo, seria um dos caminhos a seguir.
"Essa conjuntura econômica, de certa forma, nos faz ter uma posição mais clara sobre o que é a Argentina e quais são as reais possibilidades de negócios. O Brasil pode se consolidar como o principal mercado consumidor da Argentina. Basta uma decisão dos dois governos para que seja estabelecido um fluxo de comércio de uma forma mais lúcida e funcional. Isso independe da iniciativa privada", argumenta.
Bloqueio
No fim do ano passado, o governo argentino bloqueou 700 mil pares de sapatos brasileiros que deviam ser negociados no país vizinho durante o Natal.
Meses antes, relembra a associação, foi interrompida a chegada de outros 700 mil que deveriam ser comercializados na Argentina em outubro.
De acordo com a Abicalçados, a decisão do país portenho estaria motivada pela pressão dos produtores nacionais e pelos dados da balança comercial, "favorável ao Brasil e que cria, por outro lado, dificuldades para a economia argentina".




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