EVOLUÇÃO DAS PERDAS
Ao longo dos últimos três anos, as relações comerciais entre o Ceará e a Argentina experimentaram sucessivas quedas. Enquanto em 2011 a participação do país nas exportações e importações do Estado chegaram a representar, respectivamente, 10,3% e 11,3%, elas foram reduzidas, por sua vez, para apenas 3,9% e 2,5% no 1º semestre deste ano. Hoje, o mercado portenho ocupa a quinta colocação entre os principais destinos das vendas externas cearenses, ante a terceira posição ocupada em igual período de 2013, figurando, se forem consideradas as compras feitas ao exterior, como o 10º parceiro estadual, segundo estudo realizado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN), da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), que o Diário do Nordeste publica com exclusividade. Entretanto, embora o comércio com os "hermanos" venha perdendo peso na balança comercial do Estado, o novo calote argentino, consolidado após o país não chegar a um acordo com os credores que não participaram da reestruturação da sua dívida, deverá trazer impactos negativos para as relações comerciais com o Estado, sobretudo em setores como calçados e têxtil - notadamente o algodão -, principais itens da pauta de exportações cearenses.
De acordo com o levantamento do CIN, nos primeiros seis meses deste ano, o setor de calçados, polainas e artefatos semelhantes representou, sozinho, quase 65% do volume total exportado para a Argentina, com US$ 19 milhões e alta de 6,3% ante igual período de 2013. Ao mesmo tempo, embora tenha sofrido retração de 48,2% entre esses semestres, o algodão ainda assume a segunda colocação.
Outro dado que aponta para os efeitos que o Ceará venha a sofrer em relação às suas exportações vem da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, a Abicalçados. Conforme a entidade, o Estado foi o que mais vendeu pares de calçados para o exterior na primeira metade de 2014, com 42% dos 63,7 milhões de itens comercializados pelo País, sendo os portenhos o segundo maior mercado consumidor, com 6,3% do montante exportado e 3,5% dos pares, embora a quantidade de unidades vendidas à Argentina nesse intervalo já tenha registrado retração de cerca de 10%.
Mas calçados e têxteis, explica superintendente do CIN, Eduardo Bezerra Neto, são apenas dois exemplos de setores que deverão sofrer diminuições nas vendas para a Argentina. Dos dez principais segmentos do Estado que exportam produtos para lá, na comparação entre os seis primeiros meses de 2014 com 2013, além de calçados, apenas outros três tiveram crescimento: ferro fundido, ferro e aço (58,3%); máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (96,5%)e preparações de produtos hortícolas e de frutas (75,9%). Por outro lado, junto com o algodão, produtos diversos da indústria química (-97,2%), plásticos e suas obras (-43%) e frutas, cascas decítricos e melões (-25%) tiveram quedas acentuadas.
Relação com o País
Terceiro maior destino das exportações brasileiras em 2014, com US$ 7,4 bilhões, a participação da Argentina nas vendas externas caiu de 8,1% para 6,7% em relação aos seis primeiros meses de 2013. Do lado das importações, foi reduzida de 7,5% (US$ 8,8 bilhões) para 6,2% (US$7,0 bilhões) em igual período. Com ápice em 2011, (US$ 22,7 bilhões), as exportações brasileiras para seu principal parceiro do Mercosul vêm apresentando um comportamento inconstante nos últimos três anos.
Anchieta Dantas Jr.
Repórter




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