Esgotos clandestinos agravam poluição dos mares da Capital Cearense
BALNEABILIDADE
O Ceará é conhecido internacionalmente por suas praias e seu clima propenso para desfrutar as belezas naturais. Mesmo com esse agrado turístico, a orla da Capital sofre com oscilação dos pontos de balneabilidade, monitorados pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace). Entretanto, o problema é menos recorrente na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e demais litorais do Estado. A principal dificuldade para reduzir a poluição dos mares são os esgotos clandestinos.
O último boletim de balneabilidade, divulgado pela Semace, na última segunda-feira, revelou que 100% dos trechos controlados da RMF e o litoral leste e o oeste do Ceará estão todos próprios para banho e atividades náuticas. O mesmo fato ocorreu no mês passado.
São fiscalizados pela Gerência de Análise e Monitoramento (Geamo) um total de 65 locais no decorrer do orla. Destes, 31 estão localizados na Capital, 20 na Região Metropolitana de Fortaleza, oito no litoral leste e seis no litoral oeste.
O laudo publicado revelou, no dia 1º de agosto, que 14 pontos de Fortaleza estão desfavoráveis para banhos. "O que faz com que os trechos da Capital fiquem impróprios são as ligações clandestinas de esgotos nas galerias pluviais. Dessa forma, eles acabam desaguando no mar e levam grandes quantidades de coliformes", explica o gerente de análise e monitoramento da Semace, Lincoln Davi Mendes.
O gerente ainda elucida que outro fator que agrava a poluição dos mares é o grande número de residências próximas a praia. "A questão do adensamento urbano próximo do litoral e também os esgotos a céu aberto. Na RMF até temos essas dificuldades, mas não tão perto da praia como em Fortaleza".
As oscilações de qualidade da água acontecem muito em decorrência da quantidade de chuva, pois a cidade, assim como as demais capitais, é bastante impermeabilizada, com muitos as faltos e materiais que dificultam a passagem de líquidos para o solo. Assim, quando ocorrem precipitações, o fluido escoa e leva consigo lixos, esgotos e detritos para dentro do mar.
"Durante o período chuvoso o número de pontos impróprios para banho é maior, porque temos muito carreamento de lixo e esgotos para dentro das águas", assegura Lincoln Davi Mendes.
Laudo
A balneabilidade é feita de acordo com a resolução 274, de 29 de novembro de 2000, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). "Temos que entrar no mar até a altura da cintura, o que corresponde a cerca de 1m de distância da areia, devemos coletar 100mL da água e a observar durante cinco semanas para termos um laudo conclusivo", esclarece o gerente de análise e monitoramento da Semace.
Se nas últimas cinco amostras 80% dos pontos apresentarem menos de 1.000 coliformes por 100mL de porção, significa que o local se encontra propício para ser frequentado pela população.
Mendes clarifica algumas situações que apontam a inadequação das águas. "Se observarmos, próximo aos pontos, esgotos a céu aberto, resíduos sólidos, animais no entorno, como vacas, cachorros e outros mamíferos, já são considerados impróprios. Esse diagnóstico também se aplica no caso de apresentar mais de 2.500 coliformes, mesmo que seja apenas uma vezes dentre as cinco necessárias".
Programa
De acordo com a assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) desenvolve o programa Águas da Cidade objetiva a recuperação da qualidade dos recursos hídricos de Fortaleza, por meio da despoluição das águas com o tamponamento de ligações clandestinas de esgoto; fiscalização de grandes poluidores de efluentes e resíduos; controle do despejo inadequado e entre outras ações.
Em parceria com a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), a Seuma realizou mais 730 vistorias em imóveis, neste ano. O projeto Orla 100% Balneável procura combater a destinação inadequada de esgotos, realiza o tamponamento de possíveis ligações inadequadas as galerias de drenagem de águas pluviais.
As oscilações de qualidade da água na Capital acontecem em decorrência da quantidade de chuva, pois a cidade é bastante impermeabilizada. O fluido escoa e leva consigo lixos, esgotos e detritos para dentro do mar
FOTO: ALEX COSTA




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