Conta de energia incluiu devolução de R$ 3,3 mi no CE

FALHAS EM 2013

Nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, as compensações feitas pela Coelce somaram R$ 455 mil, através de 166.903 pagamentos

Os consumidores cearenses receberam R$ 3,34 milhões, em forma de crédito na conta de luz, por conta de interrupções no fornecimento de energia elétrica ao longo de 2013. De acordo com levantamento divulgado ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as compensações, em todo o País, chegaram a R$ 346 milhões, através de 100,2 milhões de pagamentos por parte das distribuidoras.

Ao todo, houve 1,6 milhão de compensações da Companhia Energética do Ceará (Coelce). O número, entretanto, não reflete necessariamente o total de consumidores da distribuidora, uma vez que um mesmo cliente pode ter sido afetado mais de uma vez, enquanto outros podem não ter sido prejudicados pela falta de energia.

A quantidade de compensações feitas pela Coelce por conta das falhas ocorridas em 2013 superou em 24,6% o número referente a 2012, quando o houve 1,3 milhão de pagamentos aos consumidores cearenses. Já o montante pago pela concessionária registrou alta de 84,8%, em comparação com os dados de 2012 (R$ 1,8 milhão)

Neste ano

Segundo a agência reguladora, nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, as compensações feitas pela Coelce somaram R$ 455 mil, através de 166.903 pagamentos. Em todo o Brasil, foram feitas 17,7 milhões compensações nos dois meses, totalizando R$ 66 milhões.

Conforme o balanço divulgado pela Aneel, a concessionária que mais compensou os consumidores devido a falhas em 2013 foi a Celg, de Goiás, com um valor total de R$ 55,7 milhões. A segunda foi a Light, do Rio de Janeiro, com R$ 45,5 milhões. No Nordeste, a Coelce registrou o quarto maior valor devolvido aos consumidores, dentre as 11 distribuidoras que atuam na Região.

18 horas sem luz

No ano passado, aponta a Aneel, os consumidores brasileiros ficaram, em média, 18,27 horas sem energia. Conforme a agência reguladora, o número ultrapassa o limite estipulado para 2013, que era de 15,18 horas.

Em nota publicada em seu site, o órgão explica que a compensação ocorre quando as concessionárias ultrapassam o limites estabelecidos para as falhas. A compensação é automática e deve ser paga em até dois meses após a apuração do indicador, realizada no mesmo mês em que houve a interrupção do fornecimento de energia.

Indicadores

Os limites que têm de ser obedecidos pelas distribuidoras são quatro. Eles medem o número de interrupções ocorridas, a duração de cada uma delas, o intervalo da maior queda no fornecimento e a ocorrência de interrupções desse tipo em dias considerados críticos.

Outros dois indicadores são analisados pela agência reguladora, os quais mensuram a média do intervalo de tempo sem energia e do número de interrupções. A Aneel frisa que eles não geram multa automaticamente, mas auxiliam a programação das fiscalizações do órgão.

ONS: operar sistema está cada vez mais difícil

São Paulo. O diretor geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, disse ontem (20) que o atual modelo energético brasileiro tornou mais árduo o trabalho de operar o sistema energético brasileiro. Com menos reservatórios e um modelo pautado principalmente no menor custo da energia e questões ambientais, e não em garantir maior segurança de abastecimento, a necessidade de transferência energética entre as regiões e de maior volume de energia gerada nas térmicas se tornou uma constante.

"Está ficando cada vez mais difícil e estressante (operar o sistema). Não há reservatórios, e com isso há mais geração térmica. Não apenas neste ano, mas também em anos com uma hidrologia próxima da média", afirmou o executivo, que participa nesta manhã de evento organizado pelas federações das indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Rio de Janeiro (Firjan). "Para garantir atendimento, vamos precisar operar mais térmicas", complementou Chipp, sinalizando uma mudança no modelo de abastecimento energético do País.

Chipp destacou que a geração elétrica a partir de fontes hídricas terá uma adição de cerca de 20 mil MW ao longo dos próximos anos. Desse total, porém, aproximadamente 200 MW serão atendidos por projetos com reservatórios, o que reduz a segurança do sistema.

João Moura
Repórter