Álcool pode subir com volta da Cide

Quanto ao álcool anidro, misturado em 27% à gasolina, Ono prevê cotação média de R$ 1,54, por litro, em 2015/2016, 10% superior à de 2014/2015

Nos postos de combustíveis de Fortaleza, o litro do álcool custa, em média, R$2,55 FOTO: RAFA ELEUTÉRIO MAIS PESO NO BOLSO São Paulo/Fortaleza. O preço médio do etanol hidratado deve ficar em R$ 1,57 o litro na safra 2015/2016, iniciada em abril, de acordo com projeção do CEO da trading SCA, Martinho Ono, apresentada ontem no 13º Seminário Tereos Guarani, realizado em São Paulo. Esse valor representa alta de 11% sobre a média de R$ 1,41 por litro, observada na safra de 2014/2015. De acordo com o executivo, a previsão leva em conta o aumento do preço da gasolina ocorrido em 2014 e o retorno da Cide (Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico) sobre a gasolina. Conforme Ono, a redução do ICMS sobre o álcool hidratado em Minas Gerais, de 19% para 14%, também é um fator positivo para a demanda pelo biocombustível. Incógnita Para o assessor econômico do Sindicato dos Proprietário de Postos de Combustíveis do Ceará (Sindipostos-CE), Antônio José Costa, o mercado de etanol sinaliza com tendência de alta, mas ainda não há nada oficial que confirme novos aumentos. Apesar da chegada da nova safra em maio, que, em tese, irá "jogar" mais cana de açúcar no mercado, nas usinas, Costa explica que a produção deste ano ainda é uma incógnita, por conta da idade avançada dos canaviais e da ausência de investimentos no setor pelos usineiros. "Há uma possibilidade de aumento por conta das plantações velhas", esclarece, ponderando, entretanto, que ainda é preciso esperar pelos resultados das colheitas. Para ele, porém, a restituição da Cide, prevista para este mês, não deve interferir no preço dos combustíveis. Ele lembra que os valores relativos à contribuição já foram incorporados ao preço da gasolina e do óleo diesel, por meio do Pis e da Cofins, em fevereiro passado. Compensação Naquele mês, as alíquotas do Pis e Confins foram elevados, encarecendo em R$ 0,22, por litro, a gasolina e em R$ 0,15, o litro do óleo diesel, valores que trouxeram embutidos a Cide, que não podia ser aplicada naquele mês, por conta da lei da noventena. "Acho que agora, o governo vai restituir a Cide, mas reduzir o Pis e a Cofins, fazendo a compensação", acredita Costa. Martinho Ono ressalta que o preço interno do combustível fóssil hoje, está defasado em 9,2%, em relação às cotações internacionais, apesar da alta recente depois da volta da Cide. O CEO da SCA estima que o consumo no Estado mineiro, seja 142% maior neste ciclo, na comparação com 2014, com 150 milhões de litros por mês. "Se a demanda continuar assim, Minas Gerais poderá se tornar um importador de etanol", comentou Ono. Quanto ao álcool anidro, misturado em 27% à gasolina, Ono prevê cotação média de R$ 1,54, por litro, em 2015/2016, 10% superior à de 2014/2015.