Caso de furto de galinhas é julgado em São João Nepomuceno, MG

Recurso da ocorrência em Rochedo de Minas aguarda julgamento no STF. 

Foi realizada na comarca de São João Nepomuceno, na Zona da Mata, nesta terça-feira (6) a audiência de Afanásio Guiamarães, que é acusado de ter roubado duas aves de um vizinho em Rochedo de Minas, na Zona da Mata. O caso ganhou repercussão nacional ao ter recurso encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na audiência, foi decidido que ele pague uma indenização de R$ 40 ao dono das aves e um salário mínimo, com valor total dividido em 10 prestações, a uma instituição beneficente. Foi determinado ainda que Afanásio não pode sair da cidade por mais de sete dias sem comunicar a viagem ao Fórum e nem frequentar bares depois das 22h.

De acordo com a Defensoria Pública, responsável pela defesa do suspeito, o caso ainda tramita na comarca de São João Nepomuceno. Neste processo, outro defensor, da União, levou o caso para o Supremo Tribunal Federal (STF), com recurso baseado no princípio da insignificância. Assim, caso o STF acate o pedido, o processo será finalizado, anulando, inclusive, a decisão desta terça-feira.

Furto das galinhas

Em Rochedo de Minas, Afanásio Guimarães se envolveu em uma confusão com o vizinho e é acusado pelo furto de duas galinhas em 2013.  “As galinhas dele ficavam soltas, iam no meu quintal, ficavam ciscando lá. Matei para comer mesmo”, comentou. Após a situação, o proprietário dos animais, Raimundo Miranda, deu queixa e o juiz Júlio Cesar de Castro aceitou a denúncia. “Permitir isso em uma cidade do interior seria permitir o caos. Daqui a pouco todo mundo vai querer furtar galinha porque a Justiça aqui não condena quem furta galinha, quem furta chocolate’”, justificou o juiz.

Afanásio ainda procurou Raimundo Miranda para tentar pagar um valor pelos animais. Porém, isso foi quatro meses depois do ocorrido e Raimundo Miranda não quis mais acordo. “Está na Justiça; o que fizer, está feito”, afirmou a vítima do furto.

A defensora pública de Afanásio, Renata Martins, quer que o processo seja suspenso com base no princípio da insignificância, uma interpretação de que o furto das galinhas não teve relevância para ser considerado crime. “Não haveria a necessidade de mover a máquina judicial, o aparato criminal judicial para reprimir essa conduta dele”, defendeu.

O pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). A Defensoria Estadual levou o caso para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). O mérito ainda vai ser julgado. Mas outro defensor, da União, levou o caso para o Supremo Tribunal Federal.

O ministro do STF Luiz Fux é o relator do processo. “Não tem sentido que um caso desse bata às portas da Corte Suprema do país, que tem a obrigação de velar pelos valores constitucionais”, disse. Segundo o ministro, seria possível Afanásio ser multado pela Justiça pagando o valor das galinhas. Raimundo Miranda, que perdeu as duas galinhas, garantiu que, por ele, o processo contra Afanásio vai até o fim. “Ele resolve na Justiça lá”, enfatizou.

Do G1 Zona da Mata