Sepultamento de “Careca” com homenagens, emoção e comoção

Urna é erguida na ponta dos dedos igual se faz no Pau da Bandeira

Fotos:SilvaNeto/diariodocariri.com Missa e sepultamento de "Careca" carregador de pau de bandeira A morte de Cícero Ricart (popular Careca), 39 anos de idade, que residia no Bairro Alto da Alegria, carregador do Pau da Bandeira de Santo Antônio e também de São Vicente Paulo, deixou a população muito triste, na segunda-feira, grande parte do comércio não abriu as portas, muitas entidades não funcionaram, o povo falava sobre a tragédia em clima de consternação. “Careca” era uma pessoa muito simples, humilde, prestativo, homem que em vida tinha três coisas importantíssimas, a fé, a família e o pau da bandeira, ele contava os meses e os dias que antecediam a escolha da árvore, o corte do pau e por fim o carregamento e hasteamento do pau da bandeira dos dois padroeiros, Santo Antônio e São Vicente de Paulo. A sua morte carregando o Pau da Bandeira de Santo Antonio no último domingo de maio de 2015, comoveu a população de Barbalha, a cidade praticamente parou, ficou em silêncio. Em todos os locais que tinha gente conversando, fatalidade foi a palavra mais pronunciada. O corpo foi velado na Igreja Matriz de São Vicente de Paulo, na tarde dessa segunda-feira, dia 01 de junho, a Igreja de São Vicente de Paulo no Bairro Alto da Alegria ficou pequena a grande participação popular que queria se despedir do grande amigo “Careca”. A missa de corpo presente presidida pelo padre Alencar e concelebrada pelo padre Luciano, com grande participação popular de todos os segmentos da sociedade barbalhense. Logo depois dos atos religiosos, foi aberto o espaço para as homenagens, foram muitas, todas com depoimentos que retrataram a história de um homem simples que passou a vida praticando o bem, homem que fazia de tudo para atender na medida do possível o mais pobre, o mais carente. Várias homenagens foram feitas pelos irmãos carregadores do pau da bandeira, autoridades municipais do executivo e do legislativo, segmentos representativos da sociedade e da cultura também externaram profundas lamentações pelo acontecido, mas, cada pessoa ao usar a palavra destacou a personalidade, o caráter, o cidadão, o homem íntegro para sua família, para o trabalho e para o povo. Encerradas as homenagens na Igreja Matriz de São Vicente de Paulo, o cortejo fúnebre teve início com a urna mortuária nos braços dos carregadores deixando a igreja, da mesma maneira que os carregadores trasladam o pau da bandeira nos ombros e também na ponta dos dedos, não foi diferente o cortejo fúnebre com acompanhamento de uma multidão. No trajeto da Igreja de São Vicente de Paulo até o cemitério municipal, o cortejo foi acompanhado com grande festa popular por bandas cabaçais, pela Filarmônica São José, com carro de som tradicional do carregamento do pau da bandeira tocando as músicas “Verdes Canaviais, Festa de Santo Antônio, Hino em louvor a Santo Antônio, e também músicas da Escola de Samba Águia de Ouro, que “Careca” fazia parte. Pelas ruas e avenidas o povo nas calçadas aplaudia a passagem do cortejo fúnebre, numa forma carinhosa de agradecimento por tudo que Cícero Ricart “Careca” fez pela população e por Barbalha. No centro da cidade, o cortejo fúnebre passou pela portaria do Pronto Socorro do Hospital São Vicente, onde trabalha e prestava um excelente serviço como funcionário daquele local, em frente à porta do Pronto Socorro os carregadores do pau da bandeira ergueram a urna mortuária, quando, profissionais de saúde, funcionários e a direção da unidade de saúde prestaram homenagens, muitas lágrimas molharam o rosto dos amigos com vozes embargadas contando “Amigo para sempre” no último adeus a “Careca”. Segue o cortejo fúnebre para o cemitério com a noite já chegando, na Rua do Vidéo grande emoção tomou de conta a quantos estavam no cortejo, quando a pedido da esposa de “Careca”, Eliane Ferreira, o companheiro Toni Sousa, cantou o Hino do Vasco da Gama clube de coração de “Careca”. No cemitério público municipal a urna mortuária foi à sepultura com explosão de várias baterias de fogos de artifícios e grande salva de palmas, numa despedida de muita emoção e comoção. Silva Neto