Barbalha-CE Cordelista homenageia carregadores do Pau da Bandeira
Ernane Tavares dedica este cordel aos heróis da tradição
foto:SilvaNeto/diariodocariri.com Com o dom versátil que Deus lhe presenteou, respirando oxigênio puro onde nasceu na região do Sítio Farias no Pé de Serra da Chapada do Araripe no Distrito de Arajara em Barbalha, Ernane Tavares, barbalhense atuante com valiosos trabalhos na literatura cordelista, seu perfil cultural enriquece a Sociedade dos Poetas de Barbalha, neste ano 2015, no início da festa em honra ao padroeiro da cidade lançou maravilhoso cordel prestando homenagem aos bravos carregadores do Pau da Bandeira de Santo Antônio. Ernane Tavares Monteiro, com inspiração brilhante no seio da cultura popular caririense se torna também um pesquisador importante para fazer seus cordéis, o que faz da sua arte ser membro fundador da Sociedade dos Poetas de Barbalha ocupante da cadeira de Nº 1, com merecido mérito é membro da Academia dos Cordelistas do Crato, ocupante da cadeira de Nº 12, do ICVC – Instituto Cultural do Vale Caririense ocupa com muita dignidade a cadeira de Nº 28. Neste cordel com Xilogravura de Cosme Braz, o autor virou e revirou a história que unifica Barbalha e pau de bandeira, cultura, folclore, raiz e tradição, para fazer sua rima com gratidão, homenageando os carregadores do Pau da Bandeira, que, com muito esforço, dedicação e fé, fazem o traslado do pau e o hasteiam em a Igreja Matriz para ver la em cima tremulando a bandeira de Santo Antônio. A história do Pau da Bandeira – Autor: Ernane Tavares I A poesia é um dom Que vem da inspiração Por isso o poeta escreve Canta e faz declamação Vai sempre agregando o povo Junto o velho com o novo Na sua apresentação II É dentro deste contexto Que eu vivo, que versejo E agora neste momento Realizo meu desejo Que algum tempo já sonho Na festa de Santo Antônio Trago o cordel do cortejo III Todo ano eu observo O tamanho do evento Vejo em toda Barbalha Um enorme movimento Junta folclore e cultura Gente simples forte e pura Revelando seu talento IV Algum tempo recebi De forma especial Um chamado, um convite Sincero e achei legal Do capitão da bandeira Pra resgatar por inteira A grande festa do pau V Busquei o livro do tombo Arquivo paroquial Para saber do registro De forma oficial Padre Zé Correia Lima Descrevo na minha rima Fez o ato inicial VI O ano foi vinte e oito José Correia o vigário O criador da bandeira De modo extraordinário Resgatou a auto-estima Rico e pobre num só clima Juntos no mesmo cenário VII Organizou o cortejo Juntou a população E Taumaturgo Filgueiras Foi o primeiro capitão Homem simples da igreja Duma ação bem fazeja Uniu força e tradição VIII Fiquei sabendo também E achei muito legal Primeiro pau de bandeira Seu João Teles de Quental Foi quem fez a doação Depois virou tradição Esse cortejo do pau IX Do ano vinte e oito Até em dois mil e três Do pai passou para o filho E até seu neto o fez Essa belíssima ação A título de doação Nunca negaram uma vez X Constatei nesta pesquisa Que Padre Ibiapino Considerado e chamado De apóstolo nordestino Antes já tinha hasteado Em lugar não identificado Uma bandeira ao som do sino XI Mas Barbalha é nosso tema E eu encontrei em jornais Noticia desse cortejo Narrações especiais Busquei quase em todo canto Sobre a bandeira do santo Eu descobrir muito mais XII Visitei seu Agostinho Fui lhe pedir uma força De lá fui no Luciano O de Maria de Moça Em busca de informações Me deram toda atenção E agora eu peço, me ouça XIII Falei com Francisco Cândido Naquele habitat seu Que abriu a sua porta Sorrindo me recebeu Me deixou mais informado Eu fiquei certificado Sua casa é um museu XIV Disse que seu Magalhães Nosso primeiro prefeito Foi quem trouxe a imagem De um Santo Antônio já feito Para ser o padroeiro E devido ser verdadeiro Não teve quem desse jeito XV Que devotos visitavam A pé ou de cavalo Pagar graças alcançadas Nesse que era intervalo Entre o inverno e seca Quando não havia perca Paga promessa no embalo XVI Com a produção agrícola Essa chamada cerqueira O homem agricultor Simples de fé verdadeira Que todo ano trabalha Vem pra festa de Barbalha Buscar o pau da Bandeira XVII Me contou os rituais E toda preparação Antes de cortar o pau Falou de alimentação Que Doutor Teles fazia Com maior alegria Sem quebrar a doação XVII - Médico, amigo e devoto Servia com o seu jeito Um servidor exemplar Foi ele grande prefeito Dentro de sua batalha Aqui em nossa Barbalha Na tradição foi eleito XIX Satisfeito com certeza Vendo seu nome lembrado Escola Josefa Alves Será homenageado Na festa do Pau Mirim Doutor Teles será sim Nome que ficou marcado XX Fui em Rejão Lava Jato Em Erivan Taxista Carregadores de frente Me forneceram a lista Voltei de novo ao museu E Nego Neo foi mais eu Me descrevendo a pista XXI Falei com Ademá de Souza Excelente cidadão Mostrou Melquiades Veloso Valoroso capitão Me deu também uma pista Citou seu Pedro Batista Faz parte da relação XXII Conversei com Rildo Teles Em outra ocasião Fui no meio ambiente Buscar mais informação Polyana viu minha luta Mostrou tremo de conduta Com toda numeração XXIII Fui em Celene Queiroz Conversar sobre essa obra Percebi naquele instante Lá tem cultura com sobra Me deu o fio da miada Citou Toinha e Benivalda Com ela a cultura dobra XXIV Citou Nossa Senhora Colégio Agremiação A Freira Estela Mares Na época na direção Que duma forma bacana Através duma gincana Resgatou a tradição XXV Através do Pedagógico Mostra a nossa cultura Teve apoio logístico Por parte da prefeitura Foi Fabriano Livonio Devoto de Santo Antônio Com essa idéia madura XXVI Sete três e sete quatro A nossa história revela O crescimento total Com Aurilena e Estela Resgatando a cultura E deixando a assinatura De cangaia e de cancela XXVII Foi o resgate de tudo Que se possa imaginar A força da nossa gente É algo espetacular Desenvolvendo o papel Trazer só em cordel É difícil vou tentar XXVIII Grupos de dança de roda E as bandas cabaçais Maneiro pau penitentes Os grupos originais De tudo quanto é cultura Num resgate a altura Que não se faz nunca mais XXIX Depois de um certo tempo O Colégio se afastou O prefeito inteligente Ao Mobral entregou Dando continuidade Pois cultura na verdade Aqui sempre ecoou XXX Fiquei sabendo também E até me emocionei Essa festa da bandeira Teve participação do Rei Luiz Gonzaga do Nascimento Astro de grande talento Se teve outro não sei XXXI Cantou em oitenta e sete Seu público nunca esqueceu Cento e cinqüenta cruzado O valor que recebeu Foi seu último show aqui Na Zona do Cariri Oitenta e nove morreu XXXII Resgatando episódio Pra memória refrescar Zé Veloso seu chapéu Alegre sempre a cantar Abre roda Xiu Xiu Papagaio quem ouviu Não tem como não lembrar XXXIII A cachaça do vigário Na pipa numa carroça Quando o pau fica pesado O camarada se esforça Cachaça com carne assada Resolve qualquer parada Que você possa ou não possa XXXIV Oitenta e quatro a TV Presente documentou Todo cortejo do pau Pro mundo inteiro mostrou A nossa cultura viva Foi boa iniciativa A festa só aumentou XXXV Chegando a uma altura Bem maior que a prevista Jornais falado e escrito Saiu até em revista O maior pau de bandeira A tradição verdadeira Com desfile de artista XXXVI Este pequeno relato Feito do pau da bandeira Deve ser bem estudado De forma até verdadeira Junta em parte a história Pra não ficar memória Faço chegar a quem queira.




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