Empresário suspeito de comprar bebê deixa presídio em Goiás

Mãe foi liberada após fiança; recém-nascido está sob cuidados de tia-avó.

O empresário Airton Angotti Barbosa, 43 anos, suspeito de comprar um bebê, deixou na noite de quarta-feira (27) o Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana de Goiânia. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e Justiça (Sapejus), ele foi libertado após o alvará de soltura ter sido expedido pela Justiça.

Procurada pelo G1, a defesa do empresário não atendeu as ligações até a publicação desta reportagem.

O homem foi detido no domingo (24), depois de sair do hospital com a mãe do recém-nascido e a criança. Airton foi atuado em flagrante pela Polícia Civil por tentar registrar o menino como sendo dele e pelo crime de ameaça. A mulher também foi presa e autuada por vender o menino. No entanto, ela foi libertada no mesmo dia após pagar fiança de R$ 2.127.

Desde a prisão, a mãe não tem contato com o filho, que nasceu no último dia 22. Segundo o Conselho Tutelar de Nerópolos, cidade onde a suspeita reside, o menino está, provisoriamente, sob responsabilidade de uma tia-avó, que mora em Goiânia.

Crime
De acordo com a Polícia Civil, a mãe do bebê confessou o crime. O delegado responsável pelo flagrante, Tiago Martimiano, informou que Airton Angotti pagou, pelo menos, R$ 5 mil pelo recém-nascido, valor comprovado por meio de depósitos bancários. "[O empresário pagou] não só o pré-natal, mas também ofertas generosas de dinheiro pra a jovem com o fim de, no final da gestação essa criança ser entregue a ele", disse o delegado.

O empresário confirmou à polícia que ia ficar com o recém-nascido, mas negou que fosse comprá-lo. “Minha esposa não engravida. A tia dessa moça, dizendo que ela estava grávida e já tinha uma criancinha de colo, disse que ela ia abortar. Eu disse aborta não que eu cuido", disse Airton.

O delegado explicou que um vizinho da garota aliciou a criança: “Ele disse ao empresário que a jovem tinha uma gestação indesejada. Como o empresário e a esposa não conseguiam ter filhos, ele, através do aliciador e da mãe da jovem, negociou o bebê”.

Em depoimento à polícia, a jovem contou ainda que tentou desistir da venda, mas o empresário a ameaçou. Apesar da declaração da filha, a mãe da garota, que não quis se identificar, negou a venda do neto. "Quem foi que pegou esse dinheiro? Onde está esse dinheiro? A venda vai ter que ser esclarecida", alega a mulher.

Investigação
O caso só foi descoberto por causa de uma denúncia anônima na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que acionou o Conselho Tutelar de Nerópolis, na Região Metropolitana de Goiânia. O órgão acompanhou a gestação e, em parceria com o Ministério Público Estadual e a Polícia Militar, montou o flagrante no domingo.

A investigação do caso foi transferida para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. O delegado informou que a mãe da jovem e o aliciador também devem ser investigados.

Paula ResendeDo G1 GO