'Quero ser o padrinho', diz jovem que achou recém-nascida em caixa no DF

Menina estava com cordão umbilical; ela tem 3 kg e 47 cm, diz hospital.

Sem expectativas de conseguir adotar a menina que achou abandonada em uma caixa no Lago Norte, em Brasília, o estudante de design gráfico Jonathan Gassner, de 20 anos, diz sonhar com a possibilidade de ser padrinho da recém-nascida. A criança foi encontrada ainda com o cordão umbilical dentro de uma caixa de papelão ao lado da lixeira de uma casa da QI 3.

Horas depois de divulgar imagens da suspeita de ter deixado a criança no local, a polícia prendeu a mãe da recém-nascida – uma jovem de 23 anos que trabalha como doméstica em uma casa perto do local onde a criança foi deixada.

"Fico imaginando o futuro dela. Achar um bebê na rua não é uma coisa comum, então acabei ficando emocionado. Parece até uma mensagem", disse ao G1. "Fico apreensivo, quero poder acompanhá-la, ter certeza de que vai ficar bem. A gente vê isso e fica com medo, pensa que poderia ter acontecido o pior."

Todas as bebês achadas nesta situação são chamadas de Vitória. Não tenho mesmo nada contra, mas acho que essa já é vitoriosa por ter sobrevivido a essas condições. Queria que ela tivesse um a mais, então eu daria um nome que acho bonito. Gosto de Karen."

Jonathan Gassner, estudante que achou recém-nascida em caixa no Lago Norte

Depois de levar a garota com a ajuda de uma motorista que passava pelo local até a delegacia, o rapaz prestou depoimento à polícia. Enquanto isso, a pequena era atendida pelo Corpo de Bombeiros e transportada até o Hospital Regional da Asa Norte. A Secretaria de Saúde informou que ela tem um bom quadro clínico e que está com 3 kg e 47 centímetros.

Gassner, que diz desejar ser pai de uma menina no futuro, tem acompanhado todas as notícias. "Quero poder um dia contar a ela como tudo aconteceu, mas não quero que ela se sinta mal ou tenha algum trauma por ter sido abandonada. Quero que ela tenha um bom futuro. Sou homem, solteiro, não tenho chances em uma tentativa de adoção. Mas quero me manter perto, queria ser o padrinho", explica.

O estudante, que se limitou a tocar na caixa por medo de machucar a criança enquanto a socorria, afirma que, se pudesse, já teria até um nome para dar à recém-nascida. A escolha, diz, seria Karen.

"Todas as bebês achadas nesta situação são chamadas de Vitória. Não tenho mesmo nada contra, mas acho que essa já é vitoriosa por ter sobrevivido a essas condições. Queria que ela tivesse um a mais, então eu daria um nome que acho bonito. Gosto de Karen", declarou. No hospital, porém, a menina passou a ser chamada de 'Aurora" pelas funcionárias que a atenderam.

O caso
A recém-nascida foi achada por volta das 6h50 desta quinta-feira (7), quando o estudante andava até o ponto de ônibus para ir à faculdade. Ela estava com o rosto coberto por um jaleco e chamou a atenção do rapaz depois de mexer o braço.

Para o delegado, a menina foi deixada no local depois das 5h. As primeiras avaliações apontaram que ela não nasceu no mesmo dia do abandono e que provavelmente o parto ocorreu quando a mãe atingiu 41 semanas de gravidez.

A Secretaria de Saúde informou que a menina passou por uma bateria de exames na última tarde para checar se foi contaminada por algum tipo de doença durante a gravidez. O Conselho Tutelar foi acionado para se responsabilizar pela criança. Depois de deixar o hospital, a recém-nascida deve ser encaminhada a um abrigo em Brasília.

Raquel MoraisDo G1 DF