Fisioterapeuta fratura a coluna no pilates: ‘Não é fácil, mas vou seguir em frente e quero ser meia maratonista’

A fisioterapeuta explica como aconteceu o caso e o que sofreu

Carla estava gravando o exercício quando se acidentou — Foto: Arquivo pessoal

Por Alice Arnoldi, em colaboração para a Marie Claire — de São Paulo (SP) - 20/06/2026 

Desde a reabilitação, Carla Rygaard já correu provas de 5 e 15 quilômetros. Sua meta agora é disputar a de 21

A fisioterapeuta Carla Rygaard, de 34 anos, estava gravando um vídeo para divulgar seu estúdio de pilates quando escorregou em um exercício e fraturou a coluna. O acidente aconteceu em setembro de 2024.

Rygaard gravava sozinha e se posicionou no aparelho para fazer o chamado shoulder stand, em que a pessoa fica de ponta-cabeça. "Visualmente é uma postura linda, porém exige muito controle. Eu já o tinha realizado diversas vezes como instrutora de pilates. Só que, dessa vez, eu estava cansada e não consegui me sustentar na posição. A fadiga muscular veio e eu deslizei do aparelho, caindo com as costas no chão”, lembra.

Sem o celular por perto, Rygaard precisou de muita força nos braços para conseguir se levantar e pedir ajuda. Ela conta que foram mais de 15 minutos só para ficar de joelhos e, então, se erguer com a força dos braços.

“Minhas tentativas de ficar de pé vinham com pontadas de dor e fraqueza nas pernas. Eu não sabia que lesão tinha, mas precisava me socorrer, mesmo tendo a noção de que, a depender do que tivesse ocorrido, eu não poderia me movimentar. Consegui me levantar, pegar o celular e entrar em contato com minha mãe para me levar ao hospital”, lembra.

Descobrindo a fratura

Ao chegar à emergência, a perna da fisioterapeuta já não respondia direito. Estava pesada e, toda vez que ela pisava, sentia uma pontada do glúteo direito para a lombar. “Outros sintomas também foram aparecendo, como formigamento e queimação irradiando para a perna direita”, diz.

A fisioterapeuta foi submetida a uma radiografia. Ela viu o resultado ainda na sala de espera e entendeu o que tinha acontecido: fratura na coluna.

“Eu chorava compulsivamente. Só pensava na possibilidade de o meu caso ser cirúrgico e o quanto minha vida iria mudar. O que eu iria fazer com meus pacientes no período afastada? Iria precisar de quanto tempo de fisioterapia? Meu desespero era por todo o meu conhecimento e experiência, por já ter atendido inúmeros pacientes que viveram o mesmo que eu", lembra.

Além da fratura na coluna, Rygaard também teve o deslocamento de uma vértebra por cima da outra. Tudo isso a fez sair do pronto-socorro com a prescrição de uso de colete, o qual utilizou por dois meses. Seu caso não foi cirúrgico.

Paixão pela corrida

Foi no período de sua recuperação que a fisioterapeuta começou a ser impactada, cada vez mais, por fotos de mulheres corredoras no Instagram. Até que ela passou a acompanhar uma criadora de conteúdo sobre o assunto e ficou ainda mais maravilhada.

Dois meses após a queda, a fisioterapeuta recebeu alta e comentou com o médico sobre o sonho de correr. Seu neurocirurgião a liberou para fazer caminhadas, mas afirmou que ela não conseguiria passar disso.

“Minha primeira caminhada foi em dezembro de 2024. Não consegui andar 200 metros. Sentia uma dor profunda no glúteo. Voltei para casa chorando, arrasada. Tinha depositado ali toda a minha esperança de chegar mais longe e correr, mas mal conseguia caminhar. Senti uma profunda frustração. Mas, no outro dia, lá estava eu, de novo, insistindo na caminhada, e consegui andar um pouco mais”, lembra.

No fim do mesmo mês, a fisioterapeuta já estava trotando. Foi, então, que ela decidiu se inscrever em uma prova de corrida de rua de 5 km. “Claro que eu não consegui correr direto: trotei em alguns pedaços, mas andei bastante. E terminei muito feliz. Não estava ligando para o fato de não conseguir correr ainda; estava realizando meu sonho de estar ali depois de tudo o que tinha passado”, lembra.

Correr foi o que fez Carla superar o trauma do tombo no pilates

Com a ajuda do namorado, que é personal trainer, a fisioterapeuta continuou treinando e indo cada vez mais longe. Em maio de 2025, participou de mais uma corrida de 5 km e, dessa vez, conseguiu correr sem parar. “Eu não tenho palavras para descrever o tamanho da minha felicidade”, celebra.

Após os 5 km, Rygaard correu 15 km. Essa conquista colocou sua vida ainda mais em perspectiva e deu a ela um novo sonho:

“Foi uma das maiores realizações pessoais que conquistei e, com ela, veio o mais novo desejo: eu quero ser meia-maratonista!", diz. Em 2026, a fisioterapeuta contratou uma assessoria esportiva, comprou um relógio e fez parceria com uma nutricionista, além de treinar com o namorado. "Senti que, para chegar onde eu queria, sozinha não conseguiria, mas com ajuda poderia ir mais longe”, conta. A prova está prevista para novembro deste ano.

Apesar dos desafios para conseguir realizar o sonho de correr, a fisioterapeuta deixa uma mensagem inspiradora para quem possa estar passando pelo mesmo que ela:

“Não sou a mesma pessoa que era quando me fraturei. Passei a valorizar mais o meu corpo. Mesmo sendo fisioterapeuta, quando o acidente acontece, passamos a ser muito mais sensíveis e empáticas. Tenho saudades do meu corpo quando eu não sentia absolutamente nada, mas sei que precisei passar por tudo isso para chegar onde estou e onde quero chegar. A fratura mudou minha vida! Sei que não foi, não é e nem vai ser fácil, mas estou disposta a sempre seguir em frente”, enfatiza.

Afinal, o pilates é um exercício seguro?

A fisioterapeuta Carolina Campanari Rorato, especialista em pilates e reabilitação postural, afirma que “o pilates é um dos métodos mais seguros e completos que existem quando falamos em movimento, prevenção e reabilitação”.

Segundo ela, uma lesão não pode ser atribuída ao método em si, mas a uma aplicação inadequada do exercício, "seja por falta de individualização, progressão inadequada ou execução incorreta". Rorato aponta que, assim como em qualquer área da saúde, os resultados dependem da avaliação, da prescrição e da supervisão profissional. "O método continua sendo seguro e altamente recomendado”, enfatiza.

Rorato explica que a dor é o principal sinal de alerta de que há algo errado na prática, mas é preciso saber diferenciá-la do esforço.

“Sentir que o corpo está trabalhando é esperado. Sentir dor aguda, dor em pontada, sensação de travamento, perda de força, formigamento ou sintomas que persistem após a prática não é normal e merece atenção”, conclui.

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