Pacientes são atendidos no corredor de hospital
Além da falta de leito, a carência de macas afeta a unidade, que fez das cadeiras camas improvisadas
MESSEJANA Na manhã de ontem, a reportagem esteve na unidade, adentrou o local e flagrou pacientes sendo atendidos em uma sala de medicação, onde são acomodados justamente nas poltronas de repouso - FOTO: FABIANE DE PAULA A ausência de leitos para a internação continua sendo um dos gargalos para pacientes que recorrem à emergência de hospitais públicos em Fortaleza. No Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, referência no tratamento de doenças cardíacas e pulmonares, além da carência de vagas, a falta de macas também tem afetado a unidade. A situação é tão precária que cadeiras de repouso foram transformadas em camas improvisadas nos corredores da emergência. O Diário do Nordeste, por meio da ferramenta VCrepórter no WhatsApp, no número (85) 8948.8712, recebeu a denúncia que, pelo menos, 20 pessoas estão, atualmente, "internadas" em macas no corredor da emergência do Hospital de Messejana à espera de leito. A reportagem foi ao local e constatou a denúncia. Uma das enfermas à espera de vaga é a idosa Carmelita Martins de Azevedo, 75. Segundo seu filho, o agricultor Francisco Euvandir Martins, a idosa está internada há 15 dias em uma maca no corredor do posto I da emergência da unidade. Carmelita foi levada ao hospital após sofrer uma parada cardíaca. No entanto, apesar de receber os cuidados médicos na emergência, a idosa foi colocada em uma maca no corredor e desde então aguarda a disponibilidade de vaga para ser transferida para um leito, mas conforme o agricultor, não há previsão de quando isto ocorrerá. "É muito complicado, mas é a única opção que temos", lamenta. No corredor, a idosa é acompanhada por uma parente que dorme em uma cadeira de plástico. Madrugada A situação é semelhante a vivida por outra família que deu entrada na unidade na madrugada de sábado (28). Segundo a filha do idoso de 64 anos, que preferiu não se identificar, o paciente foi levado ao hospital após ter um princípio de infarto. Na ocasião, o idoso, que é hipertenso e diabético, segundo informado por sua filha, fez exames e ficou aguardando em uma cadeira de plástico os procedimentos na emergência lotada. Somente por volta das 7h30min, um dos médicos, conforme a filha do idoso, avaliou que seria necessária internação, mas disse que não havia nem leito, nem maca. Ainda assim, a família optou por não retirar o paciente da unidade e apenas às 16h ele foi acomodado em uma poltrona na sala de medicação. Na manhã de ontem, a equipe do Diário do Nordeste esteve na unidade, adentrou o local e flagrou pacientes sendo atendidos em uma sala de medicação, onde são acomodados justamente nas poltronas de repouso. A dona de casa Solange Freitas conta que a mãe, uma das pacientes nesta situação, chegou ao hospital no sábado depois de sofrer um derrame. No entanto, após mais de 24h, ela ainda permanecia "internada" em uma das salas de medicação. "Enquanto isso, fico esperando do lado de fora, pois nem ficar com ela eu posso. Só espero que coloquem logo ela em um leito para acabar com essa agonia", critica a dona de casa. Alta demanda Procurada pela reportagem para esclarecer a situação, a diretoria do Hospital, por meio da assessoria de comunicação, embora questionada sobre as ocorrências relatadas e flagradas durante o fim de semana informou apenas que "o Hospital atende pacientes do Sistema Único de Saúde do Ceará e de outros estados do Norte e Nordeste, com doenças cardíacas e pulmonares de alta complexidade" e que, por mês, mais de 11 mil pessoas com este perfil são acolhidas. Conforme a assessoria, muitos pacientes que não se encaixam neste perfil não deixam de ser atendidos e "recebem os primeiros cuidados na emergência, sendo depois encaminhados aos hospitais especializados". O Hospital informou ainda que para atender à demanda crescente, a emergência já foi ampliada e ganhou 43 novos leitos, somando 349 na unidade. Questionamentos sobre a previsão de resolução do problema e a justificativa para a situação encontrada no Hospital de Messejana, como as macas dispostas nos corredores, não foram respondidos pela assessoria de comunicação. Também procurada, a Secretaria da Saúde (Sesa), por meio da assessoria, ressalta que na Regional VI foram construídas três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), em Messejana, Jangurussu e José Walter para dar vazão às demandas emergenciais do tipo.




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