Mulheres mastectomizadas ganham reconstrução do mamilo

Os seios modelam o corpo feminino e são um dos maiores símbolos das mulheres. O câncer de mama provoca a mutilação deles, afetando, muitas vezes, a autoestima das pacientes. Além da perda da mama, há casos de reconstrução em que nem sempre é possível preservar o mamilo. Profissionais da saúde do Grupo de Estudo em Micropigmentação (GEM) levaram, voluntariamente, mais felicidade para 32 mulheres mastectomizadas, fazendo um trabalho de reconstrução do mamilo. A ação começou ontem, na Faculdade Metropolitana da Grande Fortaleza (Fametro), e segue até hoje.

Ao lembrar a cirurgia para a retirada do tumor, que modificou o seio esquerdo, Sulami Rodrigues, 39, emociona-se e diz que sua feminilidade ficou abalada. “Após cinco anos da cirurgia, estou aqui para ver os meus seios como antes. É uma sensação de retomada do que é seu”. A comerciária foi diagnosticada com câncer em 2009 e fez um ano de tratamento quimioterápico. Sulami lembra que o câncer de mama abala qualquer mulher. Ela sugere que as pacientes revertam a situação se valorizando mais.

“Eu passava muito mais maquiagem e batom. Quando fiz a quimioterapia, os pelos caíram e foi aí que tive que me reinventar. Apegue-se a Deus e siga em frente”. Atualmente, Sulami é integrante de grupos de apoio ao câncer de mama, no Centro Integrado de Oncologia (Crio), em Fortaleza.

Ser mulher e poder contribuir para a elevação da autoestima de pacientes mastectomizadas têm um sentimento diferente, acredita Carine Amorim, profissional dermopigmentadora, que contornou a aréola de Sulami. “Mulheres que nunca tiveram câncer de mama se sentem mais tocadas pois sabem o que é ter o seio modificado. Isso é uma representação muito feminina”. Carine destaca que ser voluntária nessa iniciativa é gratificante. “Antes de ser um trabalho, é um presente. É incrível para nós ver o sorriso delas com o resultado”.

Incentivo

Entre as mulheres presentes, estavam integrantes dos grupos de apoio Amar, Toque de Vida, Crio e Rosa Viva. As 32 mulheres beneficiadas foram selecionadas durante uma triagem feita pelo GEM. Na ação, também foi realizado um trabalho de redesenho de sobrancelhas e palestras sobre prevenção do câncer de mama e do colo do útero.

A técnica de micropigmentação para reconstrução do mamilo não é gratuita e demanda um alto investimento. A coordenadora do GEM, Gisele de Paulo, comenta que o valor do procedimento é de cerca de R$ 800. Gisele diz que pretende investir em mais ações de voluntariado, buscando a criação de uma Organização Não Governamental (ONG) que possa levar atendimento gratuito às mulheres carentes, não apenas no mês de outubro. 

Serviço

GEM: (85) 8862 3793

Passeio Ciclístico Rosa

Quando: 28/10, às 19 horas

Onde: na avenida Washington Soares, em frente ao Fórum 

Saiba mais

Para realizar a reconstrução, dez dermopigmentarores do GEM se candidataram voluntariamente para ajudar. Segundo a coordenadora do GEM, Gisele de Paulo, o procedimento de reconstrução do mamilo é similar a uma tatuagem.

Enquanto na tatuagem o pigmento atinge a derme, a técnica de reconstrução não ultrapassa a epiderme. Gisele esclarece que o procedimento é feito em duas etapas e precisa de um retoque após 30 dias. Após a aplicação, a tinta não sai mais e a vitalidade das cores dura três anos.