Referência nacional em transplantes de órgãos, Ceará ainda sofre com resistência a doação
SAÚDE
Apesar da ampla divulgação e das campanhas para doação, ainda há uma extensa parcela da população que recusa doar os órgãos dos familiares com morte cerebral decretada. No Ceará, por exemplo, cerca de 40% das famílias não permitem o compartilhamento dos órgãos. Esse é um dos temas que serão discutidos no 8º Congresso Brasileiro de Transplante de Fígado, Pâncreas e Intestino, que segue desta quinta-feira (16) até o próximo sábado (18), em um hotel na Praia do Cumbuco.
Mesmo com a expressiva taxa de negação, o Ceará ainda se coloca bem acima da média nacional de doação de órgãos. O Estado hoje é referência nacional nos transplantes de fígado, pâncreas, rim, coração e pulmão, alcançando, até a última segunda-feira (13), um total de 1,079 órgãos doados em 2014.
"O Ceará hoje tem uma média de 22 transplantes por 1 milhão de habitantes, que é um número muito próximo dos Estados Unidos e da Europa. A média nacional é de 13,5 transplantes por 1 milhão de habitantes. Eu diria que o Estado, em doação de órgãos, atingiu o primeiro mundo". afirma Huygens Garcia, chefe do serviço de transplantes do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), centro que mais realizou transplantes de fígado em toda a América Latina em 2013, com 134 procedimentos.
A meta para o Ceará, entretanto, é reduzir a negação aos trasplantes em 20%, conforme o médico, que é um dos organizadores do congresso. "Uma vez diagnosticada a morte cerebral, a família é abordada para fazer a doação. Podemos fazer uma esforço para mostrar a segurança do diagnóstico da morte cerebral e que é um quadro irreversível. Mesmo no momento de muita dor, é confortável a família doar os órgãos para salvar vidas. O objetivo é atingir uma taxa de negação menor que 20%", destaca Huygens.




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