Distrito Federal lidera ranking de transplantes de rim na rede pública
São 51,4 doadores por milhão; três hospitais do DF fazem procedimento.
Dados do primeiro semestre deste ano divulgados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) colocam o Distrito Federal como líder nacional de transplantes de rim. Com 51,4 doadores por milhão de habitantes, o DF ultrapassou o Rio Grande do Sul e atingiu o topo do ranking. Em 2013, a capital do país estava em segundo lugar, com 49,8 procedimentos por milhão de habitantes.
O levantamento também mostra uma redução significativa no tempo de espera dos pacientes que necessitam do novo órgão. De 2012 a 2014, o tempo médio de espera para um transplante foi reduzido em 65%, passando de 23,4 a 15,4 meses.
Segundo a Secretaria de Saúde do DF, considerando o total de transplantes realizados em 2014, 30% dos pacientes conseguiram encontrar um doador em até três meses. Ainda segundo o órgão, há 159 pessoas na fila de transplante de rim no DF.
Em Brasília, os transplantes são feitos no Hospital de Base, no Hospital Universitário de Brasília e no Instituto de Cardiologia do DF. De janeiro a agosto, foram 88 procedimentos realizados, sendo oito de doadores vivos.
Segundo a chefe de nefrologia do Hospital de Base, Odimary Silva, o cenário era bem diferente há dez anos, quando assumiu o cargo. "Realizávamos 19 transplantes renais no hospital. No ano passado, fizemos 69", diz.
A coordenadora da Central de Captação de Órgãos, Daniela Salomão, atribui o êxito dos transplantes no DF às equipes de captação, responsáveis por conversar com os parentes de pessoas com morte cerebral e conseguir que autorizem a doação de órgãos do familiar.
O cobrador de ônibus João de Sá, 53 anos, é um dos pacientes que conseguiu fazer o transplante na rede pública do DF. Hipertenso desde os 29, começou a perder a função renal há cinco anos.
"Minha pressão disparava cada vez que via a agulha da hemodiálise. Não podia nem levantar da cama sem ajuda antes do transplante. Tinha o pescoço duro e as dores nas costas eram horríveis", disse.
Transplante infantil
Atualmente, os transplantes renais pediátricos são realizados no Hospital Universitário de Brasília (HUB), mas apenas para adolescentes acima de 14 anos. Crianças abaixo dessa idade precisam realizar o procedimento em São Paulo. Segundo a Secretaria de Saúde, há 32 crianças atualmente em diálise na capital federal.
A secretaria diz ainda que o Instituto de Cardiologia do DF está estruturando a equipe para começar a realizar transplantes em crianças menores de 14 anos, com previsão de início em janeiro.




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