Comissão debate nova proposta para tentar chegar a acordo e encerrar motim de policiais no Ceará

Motim chegou ao 13º dia com parte da Polícia Militar. Projeto de lei tramita na Assembleia Legislativa do Ceará desde sábado para proibir anistia de policiais militares envolvidos em motins.

Comissão se reúne em busca de resolver o impasse com os policiais e encerrar o motim — Foto: MPCE/Divulgação

Por G1 CE

A comissão formada por membros dos poderes Executivo, Legislativa e Judiciário se reúne com representantes dos policiais militares neste domingo (1º) em busca de um acordo para tentar encerrar o motim que já dura 13 dias. Além disso, deputados realizam uma nova sessão na Assembleia Legislativa para discutir uma Proposta de Emenda Constitucional no estado para proibir a anistia de policiais que participem do motim.

O motim começou na terça-feira (18), quando homens encapuzados que se identificam como agentes de segurança do Ceará invadiram e ocuparam quarteis, depredando veículos da polícia. Policiais militares reivindicam aumento salarial acima do proposto pelo governador Camilo Santana.

Em meio ao motim, o número de assassinatos no Ceará cresceu 138% quando comparados os primeiros 25 dias do mês de fevereiro de 2019 e 2020. Foram registradas 153 mortes violentas em 25 dias de fevereiro de 2019; em igual período deste ano, a Secretaria da Segurança Pública contabilizou 364 assassinatos. A secretaria informou na quinta-feira (27) que não iria mais divulgar os dados diários de homicídio durante o motim dos policiais.

Policiais paralisados e amotinados em batalhões no Ceará — Foto: Camila Lima/SVM

Na noite deste sábado (29), após uma reunião da comissão dos três poderes com o Ministério Público, OAB-CE e Defensoria Pública, ficou acertado o novo encontro neste domingo na sede da Assembleia Legislativa. Os representantes devem se reunir com PMs para definir as regras das punições aos policias envolvidos no motim.

A comissão afirmou que está descartada a possibilidade de anistiar os policiais militares amotinados. A anistia administrativa e criminal é o principal ponto de reivindicação dos policiais para encerrar o motim.

Além disso, um projeto de lei está tramitando na Assembleia Legislativa do Ceará desde sábado para proibir anistia de policiais militares envolvidos em motins.

Porém, durante a primeira sessão, o deputado de oposição André Fernandes (PSL) pediu vista, e a Proposta de Emenda à Constituição Estadual do Ceará que proíbe a anistia de policiais amotinados será votada somente na segunda-feira (2).

No Ceará, votação da proibição de anistia a PMs amotinados é adiada

Moro pede fim da paralisação

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, comentou em uma rede social, neste sábado que a solução do problema "passa realmente pelo fim da paralisação ilegal dos policiais que está sendo lá objeto de diálogo com o Governo do Estado".

Moro afirmou ainda que "a greve da PM é ilegal e deve ser interrompida". O ministro acrescentou que a paralisação "é algo realmente que a Constituição não permite".

Batalhões continuam fechados no 9º dia de paralisação no Ceará — Foto: Camila Lima

5 de dezembro: policiais e bombeiros militares organizaram um ato reivindicando melhoria salarial. Por lei, policiais militares são proibidos de fazer greve.

31 de janeiro: o governo anunciou um pacote de reajuste para soldados.

6 de fevereiro: data em que a proposta seria levada à Assembleia Legislativa do estado, policiais e bombeiros promoveram uma manifestação pedindo aumento superior ao sugerido.

13 de fevereiro: o governo elevou a proposta de reajuste e anunciou acordo com os agentes de segurança. Um grupo dissidente, no entanto, ficou insatisfeito com o pacote oferecido.

14 de fevereiro: o Ministério Público do Ceará (MPCE) recomendou ao comando da Polícia Militar do Ceará que impedisse agentes de promover manifestações.

17 de fevereiro: a Justiça manteve a decisão sobre possibilidade de prisão de policiais em caso de manifestações.

18 de fevereiro: três policiais foram presos em Fortaleza por cercar um veículo da PM e esvaziar os pneus. À noite, homens murcharam pneus de veículos de um batalhão na Região Metropolitana.

19 de fevereiro: batalhões da Polícia Militar do Ceará foram atacados. O senador Cid Gomes foi baleado em um protesto de policiais amotinados.

20 de fevereiro: policiais recusaram encerrar o motim após ouvirem as condições propostas pelo Governo do Ceará para chegar a um acordo.

21 de fevereiro: tropas do Exército começam a atuar nas ruas do Ceará.

22 fevereiro: Ceará soma 88 homicídios desde o início do motim. Antes do movimento dos policiais, a média era de seis assassinatos por dia. Governo do Ceará anuncia afastamento de 168 PMS por participação no movimento.

24 de fevereiro: ministro Sergio Moro visita Fortaleza para acompanhar a operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

25 de fevereiro: governo divulga que já tem 43 policiais presos por deserção, motim e queima de veículo particular.

26 de fevereiro: Comissão formada pelos três poderes é criada para buscar soluções para paralisação dos PMs. Ceará pede ao governo federal prorrogação da presença de militares do Exército no estado.

27 de fevereiro: comissão realiza uma nova rodada de negociações, mas sem resultado, e a paralisação dos policiais continua.

28 de fevereiro: Comissão descarta a possibilidade de anistiar os policiais militares amotinados. Camilo Santana envia à Assembleia Legislativa Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que proíbe anistia de policiais amotinados no Ceará.

https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2020/03/01/comissao-debate-nova-proposta-para-tentar-chegar-a-acordo-e-encerrar-motim-de-policiais-no-ceara.ghtml