Para Picciani, ameaças de expulsá-lo do PMDB são para 'assustar' aliados
Deputado foi destituído da liderança do PMDB por aliados de Eduardo Cunha. Peemedebista afirmou que pretende retomar posto na próxima semana.
Leonardo Picciani (Foto: José Cruz/Agência Brasil) Fernanda CalgaroDo G1, em Brasília O ex-líder do PMDB na Câmara Leonardo Picciani (RJ) afirmou nesta sexta-feira (11) aoG1 que um grupo de deputados do partido está propondo sua expulsão com o objetivo de "assustar" seus apoiadores. Destituído da liderança da legenda na última quarta-feira (9), Picciani avisa que pretende retomar o comando do PMDB na Câmara na próxima semana, com a apresentação de uma nova lista com mais da metade dos deputados que compõem a bancada. “Eu encaro como uma piada. Está havendo uma tentativa de assustar os meus apoiadores. Não tenho nenhuma preocupação quanto a isso”, disse. “Espero, na semana, que vem apresentar uma lista. Está aberta a temporada de listas. Eu não sou favorável a esse expediente, mas como ele foi usado contra o meu mandato, também vou utilizar. Dois deputados que assinaram a lista do Leonardo Quintão já retiraram suas assinaturas”, complementou o peemedebista. O deputado do RJ foi substituído no comando da bancada por Leonardo Quintão (PMDB-MG) depois que uma ala do PMDB que defende o rompimento com o governo Dilma Rousseff coletou 35 assinaturas, o que representa mais da metade da bancada, que possui 66 deputados. A troca foi automática, já que todas as assinaturas foram validadas pela Câmara. Pouco depois, Picciani começou coletar assinaturas para tentar reverter a ascensão do deputado de Minas Gerais ao posto de líder do PMDB. O apoio de integrantes do primeiro escalão de Dilma à tentativa do deputado do Rio de retomar o comando da bancada irritou parte dos peemedebistas. Revoltados com a intervenção do Palácio do Planalto nos assuntos internos do partido, parlamentares do PMDB já ameaçam antecipar a convenção peemedebista, marcada para o ano que vem, para discutir a possibilidade de romper oficialmente com o governo Dilma. Eles também ameaçam pedir a expulsão de Picciani e de quem aderir à lista. Ao G1, Picciani admitiu que deputados federais licenciados que hoje comandam secretarias estaduais no Rio de Janeiro – Marco Antônio Cabral e Pedro Paulo – vão retomar os mandatos para defender o governo Dilma Rousseff e assinar a lista destinada a restituí-lo ao comando do PMDB. Ele também disse que negocia a retirada de nomes que apoiaram a ascensão de Leonardo Quintão ao comando da bancada. Segundo ele, já retiraram o nome da lista os deputados Silas Brasileiro (PMDB-MG) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). “O PMDB no Rio de Janeiro tem uma posição clara de defender o governo legitimamente eleito. E tem uma posição de fortalecer esse posicionamento. Então, eles retornaram à bancada não apenas por causa da liderança, mas para defender essa posição contrária ao impeachment”, afirmou. Sobre a participação do governo na coleta de assinaturas, Picciani afirmou que ministros do partido atuam nas negociações porque são integrantes do PMDB. “O governo não está se metendo. Obviamente que ministros do PMDB podem participar, como integrantes do partido”, disse. Ele também não quis comentar a atuação do vice-presidente da República, Michel Temer, que nesta quinta (10) pediu à presidente Dilma Rousseff que não interferisse na disputa pela liderança do PMDB. Temer também sugeriu que a presidente convidasse para uma reunião no Planalto o novo líder do partido, Leonardo Quintão. “A conversa entre a presidente Dilma e o vice-presidente Michel Temer cabe a eles. Eu vou tentar retomar a liderança, até porque a bancada do PMDB está dividida, está rachada, e eu tenho, acredito apoio de mais da metade da bancada”, afirmou. Audiência com Dilma Nesta quinta-feira (10), Leonardo Quintão disse ao G1 que vai se reunir na próxima terça (15), no Palácio do Planalto, com a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer. A audiência foi agendada depois que Temer fez pessoalmente um pedido para que a petista convidasse Quintão para uma conversa e não interferisse na disputa interna pela liderança da bancada do PMDB, conforme informou o Blog do Camarotti. “Já fui convidado pelo próprio Michel para encontrarmos na terça-feira com ela [Dilma] no Planalto”, destacou Leonardo Quintão ao G1. O novo líder do PMDB afirmou ainda que espera uma boa recepção da presidente da República nesta primeira audiência. Para ele, governo federal e PMDB precisam “esclarecer fatos” para manter uma relação “respeitosa”. “Espero cordialidade, boa recepção e diálogo político. Ela [Dilma] pode ter certeza de que vamos dialogar para ter boa coordenação do PMDB com a presidente e o governo. Precisamos esclarecer fatos. Vamos tocar o PMDB de maneira cordial e respeitosa. Respeitando a decisão da maioria e minoria”, enfatizou.




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