Esquerda faz ato contra impeachment, mas ajuste fiscal mina apoio a Dilma
UNE (União Nacional dos Estudantes), o MST (Movimento dos Sem Terra) e entidades sindicais foram às ruas em defesa da Petrobras e de Dilma
PT é acusado de tentar tornar ato pró-democracia em pró-governo, o que outros movimentos refutam
Adriano Brito e Thiago GuimarãesDa BBC Brasil em São Paulo
Quatro dias após as manifestações realizadas em diversas cidades pedindo o afastamento da presidente Dilma Rousseff, partidos de esquerda e movimentos sociais marcaram manifestações públicas para esta quinta-feira (20) em pelo menos onze capitais brasileiras.
Desde o dia 13 de março, quando movimentos como a UNE (União Nacional dos Estudantes), o MST (Movimento dos Sem Terra) e entidades sindicais foram às ruas em defesa da Petrobras e de Dilma, não houve um protesto reunindo tantos grupos de esquerda.
Enquanto isso, grupos que pedem a saída da petista fizeram manifestações algumas vezes e durante este período, a crise política atingiu seu auge, bem como a desaprovação ao governo – segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada no início do mês, 71% da população vê a gestão como ruim ou péssima.
Em São Paulo, o protesto está marcado para o Largo da Batata, na zona oeste, a partir das 17h, enquanto no Rio os manifestantes se reunirão mais cedo, às 11h, na Cinelândia, centro da cidade.
Segundo parte dos representantes de grupos sociais e de partidos de esquerda ouvidos pela BBC Brasil, a demora em organizar manifestações públicas se deve à política econômica do governo, mais especificamente ao ajuste fiscal, que desagradou os setores da sociedade representados por esses grupos.
Também por esse motivo, o ato desta quinta é menos pró-Dilma que o de março: a maioria das entidades participantes diz que é contra o impeachment, mas não irá às ruas apenas para expor isso, nem poupará críticas ao governo.
O PSOL vai mais longe: acusa o PT de "sequestrar" um ato que não foi organizado por ele, mas por movimentos sociais – inserções do partido da presidente na TV convocam para o protesto desde a terça (18).
Divergências
No Facebook, os convites para os protestos desta quinta expõem a dificuldade em unir em torno de um objetivo comum todos os movimentos que irão às ruas – como UNE, CUT (Central Única dos Trabalhadores), MST, MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e partidos como PT, PC do B e PSOL.
Na convocação feita por MTST, UNE e CUT, por exemplo, não há uma menção direta à defesa ao mandato de Dilma. São elencadas três principais palavras de ordem: contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha; contra o ajuste fiscal; e, por fim, "contra a ofensiva conservadora", defendendo o “aprofundamento da democracia”.
Outro convite, criado pelo PT, é mais sucinto: "Movimentos sociais contra o golpe e pela democracia". Em sua página na rede, o PC do B, partido de esquerda mais próximo ao governo petista, convoca seus seguidores "contra o golpe". Já o PCO, pequena sigla de extrema esquerda, diz que irá às ruas contra a "direita golpista".

Sem refresco
Embora vá às ruas também contra o "golpismo", o MTST não fará qualquer defesa do governo Dilma Rousseff, afirma seu líder, Guilherme Boulos. "Ninguém tem disposição de ir para a rua para defender um governo com essa política", diz. "A pauta do governo Dilma é ajuste fiscal, corte de direitos, de investimentos sociais. Essa pauta é indefensável por qualquer movimento social que se preze."
Diálogo
Partido de extrema-esquerda surgido de dissidência petista e também crítico ao governo, o PCO diz acreditar que faltou aos outros movimentos dialogar com seus militantes. O presidente da sigla, Rui Costa Pimenta, afirma porém que "o importante é que está se formando um movimento contra o impeachment". Para ele, a mobilização deve crescer caso um pedido de afastamento avance no Congresso – mesma opinião de Grazziotin e Cantalice. "As pessoas paulatinamente vão sendo ganhas", acrescenta Renan Alencar, presidente da UJS (União da Juventude Socialista).





























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