Governo pagará R$ 50 mil por informações sobre chacina na Grande São Paulo
Anúncio sobre recompensa foi feito pelo governador Geraldo Alckmin; 18 pessoas foram mortas em Osasco, Barueri e Itapevi
Reprodução/Twitter Homens encapuzados entraram em bar e deixaram mortos na região metropolitana de SP Por Agência Brasil O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou hoje (17) uma recompensa da R$ 50 mil por informações que ajudem a elucidar a chacina ocorrida, na Grande São Paulo, na noite da última quinta-feira (13), quando 18 pessoas foram assassinadas, em um intervalo de duas horas, nos municípios de Osasco, Barueri e Itapevi. Para receber a recompensa, o denunciante deve repassar as informações pelo sistema do Web Denúncia - http://www.webdenuncia.org.br/. A página funciona 24h por dia e garante o anonimato do informante. "A polícia está toda empenhada em esclarecer e prender os criminosos. Quem tiver informações e der uma indicação que leve ao esclarecimento do crime ou à prisão dos criminosos terá a recompensa", disse o governador. Execuções na Grande São Paulo pode ter cometido por policiais A oferta é um avanço, na avaliação do ouvidor das polícias de São Paulo, Julio Cesar Fernandes Neves: “Para a sociedade civil, isso é uma coisa muito boa. Existe agora a possibilidade de elucidar tudo isso daí”. Outra mudança importante da postura do governo estadual, na opinião de Neves, é que a possibilidade de o crime ter sido cometido por policiais militares está sendo tratada abertamente. “O próprio governo reconhece a possibilidade de [os culpados] serem policiais militares. Isso é sinal de que está prosperando a esperança para que se acabe com essa sina no estado”, acrescentou. Para o ouvidor, os indícios da participação de policiais são muito fortes. Segundo ele, o vídeo que mostra os assassinos mascarados rendendo pessoas em um bar antes de executá-las evidencia o uso de táticas da corporação: “Quando eles vão colocar aquelas pessoas com a mão na parede, de costas, aquilo é Polícia Militar que faz. É contenção”. Neves apontou ainda o modo de empunhar a arma e a organização para garantir retaguarda. “Os caras são profissionais e fazem aquele procedimento padrão”, concluiu. A ação da semana passada é muito parecida, segundo o ouvidor, com a chacina ocorrida em Campinas, no interior paulista, em janeiro de 2014. Seis policiais estão sendo processados pelos 12 assassinatos cometidos na ocasião. “O interessante dessa chacina é que ela é semelhante, de uma forma muito clara, àquela de Campinas, em janeiro do ano passado. Porque começou com a morte de um policial em um posto de combustível”, comentou. Desta vez, um cabo da PM foi assassinado no último dia 7 em Osasco. A maior dificuldade em investigações como essa é, de acordo com o ouvidor, a falta de testemunhas: “É o temor de testemunhar da população. O temor de denunciar, de indicar provas. O próprio investigante, a autoridade, precisa de materiais para acusar alguém. E de repente fica sem nenhum”. Hoje, o Secretário de Estado Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes se reuniu com os diretores do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa para falar sobre o caso. Uma Força Tarefa foi montada para apurar as mortes em conjunto com a Corregedoria da Polícia Militar. Grupo de ao menos dez criminosos Pelo menos dez criminosos participaram da chacina em que 18 pessoas foram assassinadas na semana passada na Grande São Paulo. Segundo o secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, as investigações identificaram três grupos responsáveis pelos ataques feitos na última quinta-feira (13) em Osasco, Barueri e Itapevi. “São, no mínimo, 10 criminosos envolvidos. As imagens apontam que havia quatro pessoas no [carro] Peugeot e mais duas em uma motocicleta, em Osasco”, disse Moraes. As testemunhas começaram a ser ouvidas. Ainda na tarde desta segunda-feira (17), deverão ser tomados os depoimentos das vítimas que sobreviveram à chacina. Três baleados permanecem internados, sendo um em estado grave. Os laudos indicam o uso de armas de quatro calibres: 380, 45, 38 e 9 milímetros (mm). O caso é investigado por uma força-tarefa composta por 70 policiais civis e técnico-científicos, além da Corregedoria da Polícia Militar. Outra mudança importante do governo estadual, na opinião de Neves, é que a possível participação de policiais militares no crime é tratada abertamente. “O próprio governo reconhece a possibilidade de ter policiais militares. Isso, para a gente, é sinal que está prosperando, a esperança de que se acabe com essa sina no estado”, acrescentou. Uma das hipóteses é que os crimes sejam uma vingança pelo assassinato de um cabo da PM no último dia 7 em Osasco. Segundo os dados da ouvidoria, de janeiro a julho deste ano, policiais militares em serviço mataram 454 pessoas no Estado. No mesmo período, 32 policiais foram mortos (23 fora de serviço). Em todo o ano de 2014, policiais militares em serviço mataram 801 pessoas.




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