Vem pra Rua está neutro em relação a Michel Temer
Vice-presidente e articulador político do governo Temer não é alvo de protesto.
Aline Moura - Diario de Pernambuco Movimento defende o impeachment de Dilma, independente de quem vai assumir o poder, no caso de ela ser afastada. Vice-presidente e articulador político do governo não é alvo de protesto. O porta-voz do Movimento Vem pra Rua de Pernambuco, Gustavo Gesteira, voltou a defender o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), e falou ao Diario sobre as três principais pautas defendidas para as manifestações deste domingo. “Fora Dilma, fora corruptos e Lula nunca mais”. Segundo ele, o movimento se foca exclusivamente no governo de Dilma por conta do momento de crise vivido pelo Brasil. Mas ele acredita que também haverá reflexos das manifestações nas eleições municipais do próximo ano. O Vem pra Rua defende o impeachment de Dilma, mas não se posiciona claramente sobre os rumos do que pode acontecer, ou seja, não fala diretamente se defende que o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), assuma o lugar da petista caso ela seja obrigada a deixar o cargo. As manifestações não fazem críticas a Temer, que é articulador político da atual gestão e cujo partido também está envolvido na Lava-Jato. A sigla peemedebista, apesar de ter ministérios, comporta-se de forma dúbia no Congresso, votando muitas vezes contra o governo. Qual a maior bandeira do movimento Vem pra Rua? Fora Dilma, fora corruptos e Lula nunca mais. Foi uma decisão tomada após ouvir as ruas, as pessoas que fazem parte do Vem pra Rua de todo o Brasil e por entender que o Lula foi o mentor dos esquemas de corrupção que vemos hoje e que estiveram presentes em quase 13 anos de governo do PT. Foi Lula que indicou Dilma como candidata, então, ele não somente é conivente, como ele participa ativamente do governo dela, de maneira que a crise que estamos enfrentando e da qual estamos pagando a conta é responsabilidade dele. Vocês defendem que o vice Michel Temer assuma, no caso de impeachment, ou querem que Eduardo Cunha convoque novas eleições? Não somos nós que escolhemos o caminho, quem diz é a Legislação brasileira. Hoje, existem pedidos de impeachment protocolados na Câmara dos Deputados e existe uma ação que pode culminar na cassação de Dilma pelo TSE. Qualquer dos dois caminhos é possível. Aquele que for levado adiante, aquele onde ela for julgada e condenada é um dos caminhos. Quem diz qual o caminho é a lei. Qual a diferença do Vem pra Rua e do Movimento Brasil Livre? São movimentos diferentes, formados por pessoas diferentes, tem pensamentos diferentes sobre assuntos diferentes. Mas se vocês defendem o impeachment, porque não é um só movimento? Qual a diferença? O que os movimentos têm em comum é que todos eles buscam um Brasil melhor, livre de corrupção. Sem dúvida, essa é uma pauta comum dos movimentos. Além do impeachment, qual a pauta de vocês? A ética na política, a democracia e um estado eficiente e desinchado. Vocês se preocupam com a crise de governabilidade e os reflexos disso? Só para que fique bem claro, o impeachment está previsto na Constituição Brasileira. É uma saída legal, ninguém está acima da lei. A lei tem que ser aplicada para todos os brasileiros sem exceção. É por isso que, em tendo sido cometido um ato que leve ao impeachment, ela tem que sofrer as sanções da lei. A lei tem que ser respeitada. O Vem pra Rua recebe apoio de algum partido ou dá apoio a algum partido político? Não recebemos apoio de nenhum partido, nem apoiamos. Mas o PSDB está chamando as pessoas a participar dos atos deste domingo… As manifestações de setembro de 2014 para cá são realizadas por pessoas, como eu e você, e, se eventualmente, qualquer que seja o partido, entenda que as manifestações são legítimas, é bem-vindo. Vocês são simpáticos à criação do Partido Novo, como o Movimento Brasil Livre? Não tenho profundidade sobre o assunto. Nós não apoiamos nenhum partido e nenhum político. O Vem pra Rua é suprapartidário e tem por objetivo dar voz à indignação das pessoas que não se sentem representadas pela classe política. Existe um distanciamento muito grande do que pensam os políticos e das ruas. Esse movimento é para que as pessoas possam participar como protagonistas. É isso que temos conseguido e que temos conquistado nos últimos meses. Hoje, está havendo uma mudança de cultura do brasileiro, ele tem participado mais, tem se preocupado com a maneira que o Brasil vem sendo conduzido e não está mais disposto a outorgar um mandato durante quatro anos. Estamos vendo um resgate da cidadania. Há pretensões de influir nas eleições municipais do ano que vem? Sem sombra de dúvida. Não é um movimento que tem um único propósito. O movimento tem três pilares especifico e busca um estado eficiente. O movimento Vem pra Rua vai permanecer dando voz às pessoas. Por que não há movimento algum em relação ao que se passa nos estados ou municípios? Nesse momento, estamos enfrentando uma crise enorme, causada pela incompetência e pela corrupção. Isso faz com que esses assuntos sejam mais importantes.




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