À CPI, Costa diz esperar que seu 'sacrifício' não seja em vão

Ex-diretor da Petrobras e delator na Lava Jato foi à CPI pela terceira vez.

05/05/2015 - Paulo Roberto Costa na CPI (Foto: Reprodução/TV Câmara) Ele disse que está 'amargamente arrependido' e que está sofrendo. Fernanda CalgaroDo G1, em Brasília À CPI da Petrobras, o ex-diretor de Refino e Abastecimento Paulo Roberto Costa, um dos principais delatores da Operação Lava Jato, disse nesta terça-feira (5) que está “arrependido” e que espera que o “sacrifício” dele não seja em vão. “Se eu pudesse voltar no passado nada eu faria. Eu espero que essa seja uma oportunidade para o Brasil passar a limpo uma série de coisas”, afirmou aos parlamentares. Costa disse que estar “amargamente” arrependido e que não só ele, mas a sua família também está sofrendo. “Espero que o meu sacrifício não seja em vão”, afirmou. O ex-dirigente da petroleira presta depoimento na condição de investigado. Ele foi à CPI acompanhado de cinco advogados. “Estou dando a minha contribuição com muito sofrimento. Agora, se isso não for à frente, se não for avaliado em todas as frentes, talvez não valha a pena”, afirmou Costa. Ele atribuiu a corrupção na estatal à interferência política na gestão da empresa. “Se não fossem alguns maus políticos a levar a Petrobras a fazer o que fez... O que fez não foi inventado pela Petrobras, não foi inventado por nenhuma empresa, a origem disso [da corrupção] foram os maus políticos que fizeram isso acontecer”, disse. Para ele, essa é a “oportunidade de fazer a ruptura de um sistema podre”, afirmou o ex-diretor da estatal. Depoimentos anteriores É a terceira vez que ele é convocado ao Congresso para prestar esclarecimentos sobre o esquema de corrupção que funcionava na estatal. Em setembro passado, Costa esteve na CPI mista, formada por deputados e senadores, mas se recusou a responder às perguntas dos parlamentares. Depois, ele voltou à CPI mista em dezembro para uma acareação com o ex-diretor da área Internacional Nestor Cerveró. O objetivo era esclarecer pontos divergentes entre os depoimentos dos dois. Em sua delação, Costa disse que Cerveró foi um dos beneficiários do esquema na Petrobras, o que foi negado pelo ex-colega. Costa foi preso em março do ano passado durante a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele foi solto em maio, mas acabou voltando para a prisão em junho a pedido do Ministério Público, que temia que ele fugisse. Em outubro, após ter sido homologada pela Justiça a sua delação premiada, Costa passou para o regime domiciliar, monitorado por uma tornozeleira eletrônica. Se confirmadas as informações que deu a policiais e procuradores com base na delação premiada, o ex-diretor poderá ter a pena reduzida. Em seus depoimentos, Costa detalhou como funcionava o esquema de pagamento de propina por empreiteiras em troca de contratos com a Petrobras e como era o repasse para os partidos políticos envolvidos. A delação dele e a do doleiro Alberto Youssef serviram de base para a abertura de inquéritos contra 47 políticos, além do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e o lobista Fernando Soares, o "Fernando Baiano", apontados como operadores do esquema. Para que Costa pudesse ser ouvido pelos deputados pela CPI nas dependências da Câmara, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), suspendeu temporariamente uma decisão interna que proíbe o depoimento de presos no local.