Em greve, professores do PR fazem protesto por feridos em confronto

Cerca de 10 mil pessoas seguem em direção ao Centro Cívico, diz APP. 

Manifestantes tingiram espelho d' água do Palácio Iguaçu (Foto: Fernanda Fraga/ RPC) PM e professores se enfrentaram na quarta e mais de 200 ficaram feridos. Do G1 PR Os professores que estão em greve no Paraná há seis dias fazem um protesto na manhã desta sexta-feira (1º), feriado do Dia do Trabalho, em crítica à ação da Polícia Militar (PM) durante confronto ocorrido na quarta-feira (29) em Curitiba. O tumulto aconteceu em frente ao prédio da Assembleia Legislativa, no Centro Cívico, e deixou mais de 200 feridos. Os professores se concentraram por volta das 10h na Praça 19 de Dezembro e seguiram em direção ao Centro Cívico. De acordo com Hermes Leão, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública (APP-Sindicato), até as 12h20 cerca de 10 mil pessoas participam do protesto. Já a Polícia Militar (PM), contabilizou três mil participantes no mesmo horário.

Manifestantes colocaram uma venda preta nos olhos de Nossa Senhora de Salete em frente à Assembleia (Foto: Rogério Zanetti)
Manifestantes colocaram uma venda preta nos olhos de Nossa Senhora de Salete em frente à Assembleia (Foto: Rogério Zanetti)
"Queremos voltar a ocupar a Praça Nossa Senhora de Salete da forma como sempre fizemos, com entusiasmo e garra, e, sempre, de forma pacífica", disse Hermes Leão. Ele afirmou que o grupo pretende fazer atos simbólicos e depois se dispersar. Por volta das 12h, o grupo tingiu de vermelho o espelho d'água que fica em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual, para simbolizar sangue dos feridos. Eles também baixaram a bandeira do Brasil do mastro que fica em frente ao prédio e colocaram vendas nos olhos da estátua de Nossa Senhora de Salete. Greve Uma assembleia marcada para terça-feira (5) deve definir sobre a continuidade ou não da greve. Quase um milhão de alunos estão sem aula por causa da paralisação.
Cerca de 10 mil pessoas participam do protesto, segundo o sindicato dos professores  (Foto: Divulgação/ APP-Sindicato)
Cerca de 10 mil participam do protesto, segundo o sindicato (Foto: Divulgação/APP-Sindicato)
No confronto de quarta, os manifestantes tentavam acompanhar a sessão da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) que votava um projeto que promove mudanças no custeio da ParanaPrevidência, o regime próprio da Previdência Social dos servidores paranaenses. Os professores são contra o projeto e foram impedidos pela PM de se aproximarem do prédio da Assembleia. Por quase duas horas, a PM usou bombas de efeito moral, jatos d'água, spray de pimenta e balas de borracha para conter o avanço dos manifestantes na praça em frente a Alep. Segundo a Prefeitura de Curitiba, 213 pessoas ficaram feridas. A Secretaria de Segurança Pública afirma que 20 policiais também se machucaram no confronto.
Professor se fere em confronto (Foto: Samuel Nunes/ G1)
Professor ferido durante confronto na quarta (Foto: Samuel Nunes/ G1)
Entre os feridos estavam um cinegrafista da TV Bandeirantes, que foi mordido por um cão da polícia, e um fotógrafo da Gazeta do Povo, atingido por dois tiros de bala de borracha. A proposta foi aprovada em redação final na quarta e sancionada pelo governador Beto Richa (PSDB) na quinta (30). Com a sanção, a lei entra em vigor assim que publicada em "Diário Oficial", o que deve ocorrer nos próximos dias, segundo o governo. O objetivo do projeto, ainda de acordo com a administração estadual, é dar fôlego ao caixa do governo, proporcionando economia de R$ 125 milhões por mês. Em janeiro deste ano, a ParanaPrevidência pagava R$ 502.185.821,98 mensais em aposentadorias e pensões nos três fundos que a compõem: o Militar, o Financeiro e o Previdenciário. Para os professores, a mudança compromete a saúde financeira da ParanaPrevidência, ou seja, faria que, com o tempo, a instituição tivesse mais a pagar do que a receber. O projeto Pela proposta, 33.556 beneficiários com 73 anos ou mais serão transferidos do Fundo Financeiro para o Previdenciário. O Fundo Financeiro é bancado pelo governo estadual. Já o Previdenciário é composto por contribuições dos servidores estaduais. Com essa mudança da origem do custeio, a administração economizaria mensalmente os referidos R$ 125 milhões. O governo afirma que o Fundo Previdenciário está capitalizado em mais de R$ 8,5 bilhões em investimentos. Afirma que serão preservadas todas as garantias dos funcionários públicos, e que os cálculos atuariais realizados pelos técnicos garantem a solvência do sistema por 29 anos. Aporte O projeto ainda prevê que o Fundo Previdenciário terá o aporte de R$ 1 bilhão a partir de 2021, com o reinício de repasse ao Estado dos royalties da usina de Itaipu, que garantiria a solvência do sistema por pelo menos 29 anos. Esta foi a segunda tentativa do governador Beto Richa de aprovar mudanças na ParanaPrevidência. Em fevereiro, ele retirou outro projeto apresentado na Assembleia e fez modificações antes de submetê-lo novamente à votação, após os professores estaduais invadirem o plenário da Assembleia em meio à votação.