Muitos discursos e poucos resultados nas audiências públicas

A maioria dos deputados tem suas atenções voltadas mais para o plenário, onde as discussões sempre resultam em mais visibilidade - FOTO: JOSÉ LEOMAR AUDIÊNCIAS PÚBLICAS Desde que foram instaladas as comissões técnicas permanentes da Assembleia Legislativa, na atual legislatura, os deputados já realizaram 35 audiências públicas. O número é expressivo, visto que tais comissões iniciaram seus trabalhos somente na última semana de fevereiro, logo depois do Carnaval, e demonstra que muitos deputados, principalmente, os novatos têm participado dos debates. No entanto, as audiências públicas só contribuem para o Poder Legislativo caso tenha um encaminhamento concreto e resposta daqueles setores envolvidos. A participação dos parlamentares, assim como de convidados também deve ter relevância no momento das discussões, o que muitas vezes não tem acontecido nos encontros ocorridos desde o início das atividades. Somente na última semana, em um mesmo dia, duas audiências públicas foram realizadas: uma para discutir a invasão de espécies exóticas na flora cearense e outra para debater questões relativas ao panorama da saúde atual no Estado. Na primeira, além da presença das deputadas Fernanda Pessoa (PR), que foi a autora do requerimento, e Silvana Oliveira (PMDB), presidente da comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Semiárido, só estava presente o vereador de Fortaleza, João Alfredo (PSOL). Outros parlamentares até chegaram a passar pelo auditório onde estava sendo realizado o encontro, no entanto, estavam realizando outros trabalhos em outras comissões, como reuniões ordinárias. Já a comissão de Seguridade e Social e Saúde realizou uma audiência pública importante, de interesse de toda a população cearense, que foi avaliar as questões relativas ao panorama da saúde no Estado, tema esse recorrente no Plenário 13 de Maio, e tido pela maioria dos parlamentares como assunto que deve demandar mais atenção por parte do governador Camilo Santana. A audiência contou com a presença do secretário de Saúde do Ceará (Sesa), Carlile Lavor, e da secretária-adjunta da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Lúcia Cidrão, assim como da promotora de Justiça de Defesa da Saúde Pública, Isabel Pôrto. No entanto, mesmo sabendo da importância do tema, o presidente do colegiado, que foi um dos autores do requerimento para a audiência, Carlomano Marques (PMDB), não compareceu. Já Carlos Felipe (PCdoB), que também propôs a realização do evento, abriu a sessão e precisou se retirar devido a outros compromissos. Carlos Matos (PSDB) foi o único deputado que ficou para acompanhar os presentes na discussão sobre a saúde pública no Ceará. Logo em seguida, Silvana Oliveira e Wagner Sousa (PR) também compareceram. A deputada Fernanda Pessoa (PR), que iria participar das duas audiências marcadas para o mesmo horário, disse que o mais importante desses encontros é a discussão sobre temas relevantes.